Hermanias
O Blog Abrupto edita um post oportuno e acertado sobre Herman e a desgraça pedófila. Concordo plenamente, se bem que veja no Herman uma figura pública que exibe alguma sobranceria difícil de disfarçar, como quem está por cima da carne fria. Vejamos se tanta notícia sobre o Herman, não acaba por fazer esquecer, que afinal, ele é só mais um...português.
sábado, 31 de maio de 2003
Tristezas da Vida Real
Sexta-Feira ao fim da tarde. Saio de Vendas Novas para ir visitar a minha avó, internada no Hospital do Barreiro devido a intervenção círurgica. A meio da visita inquiro a minha mãe sobre o processo que conduziu à referida operação. Explica-me que a minha avó tinha uma peritonite no intestino (algo com efeitos semelhante a uma crise de apêndicite) e que correu algum perigo de vida. Também me explicou - e aqui é que a história se torna interessante - que houve uma grande discussão entre os médicos que a acompanhavam. Uma queria operar, o outro, não. A razão que o médico invocava para a "kota" não ser operada, era a de que «...O Hospital não pode sair por ai a operar pessoas a torto e a direito...», «..não há motivos para isso...» «...se ela se sentir pior acaba por voltar...». Resumindo: a minha avó a correr risco de vida, e o tipo a achar que o Hospital ía gastar dinheiro a mais com ela, blá, blá, blá...isto é estupidamente inacreditável. Foi pena não ter dado de caras com tal ignóbil, porque a vontade que eu tinha, para além de um supapo bem dado, era perguntar-lhe se fosse a mãe dele, se ele apresentaria a mesma solução "economista"...Em que país é que estamos a viver? Ainda falam do terceiro mundo...
Se pensassem mais nas pessoas e menos nos BMW's...
Sexta-Feira ao fim da tarde. Saio de Vendas Novas para ir visitar a minha avó, internada no Hospital do Barreiro devido a intervenção círurgica. A meio da visita inquiro a minha mãe sobre o processo que conduziu à referida operação. Explica-me que a minha avó tinha uma peritonite no intestino (algo com efeitos semelhante a uma crise de apêndicite) e que correu algum perigo de vida. Também me explicou - e aqui é que a história se torna interessante - que houve uma grande discussão entre os médicos que a acompanhavam. Uma queria operar, o outro, não. A razão que o médico invocava para a "kota" não ser operada, era a de que «...O Hospital não pode sair por ai a operar pessoas a torto e a direito...», «..não há motivos para isso...» «...se ela se sentir pior acaba por voltar...». Resumindo: a minha avó a correr risco de vida, e o tipo a achar que o Hospital ía gastar dinheiro a mais com ela, blá, blá, blá...isto é estupidamente inacreditável. Foi pena não ter dado de caras com tal ignóbil, porque a vontade que eu tinha, para além de um supapo bem dado, era perguntar-lhe se fosse a mãe dele, se ele apresentaria a mesma solução "economista"...Em que país é que estamos a viver? Ainda falam do terceiro mundo...
Se pensassem mais nas pessoas e menos nos BMW's...
quarta-feira, 28 de maio de 2003
Inacreditável
E não é que numa pesquisa acidental pelo Google encontro um sítio escrito em mukankala??? Aqui fica o referido para que vejam e tentem pronunciar um pouco, a língua dos meus antepassados!
http://bbie.org/bemba_text/07/0701.html
E não é que numa pesquisa acidental pelo Google encontro um sítio escrito em mukankala??? Aqui fica o referido para que vejam e tentem pronunciar um pouco, a língua dos meus antepassados!
http://bbie.org/bemba_text/07/0701.html
terça-feira, 27 de maio de 2003
Made in Japan
Hoje de manhã saí para ir ao Banco (é fim do mês) e depois aproveitei para tomar um pequeno almoço à portuguesa. Um galão quentinho e um croissant com creme de ovo. Sento-me no café (uma descoberta feliz...), e enquanto saboreio o bolo, começo a prestar atenção à conversa da mesa ao lado. Eu sei, pensam que sou cusco, mas não, a conversa era para todos e o Café estava praticamente vazio. Falava-se de pedofília e do Herman, ícone do humor português, ao que se diz apanhado nas malhas da justiça. Entre promessas de castração e gritos de revolta, um senhor, já avançado na idade, sugere uma solução para o drama que se vive: «Eles deviam era ir ao Japão comprar uns cús de plástico que lá há, que parecem verdadeiros, como os pénis que há por aí. Assim não precisavam mais dos putos da Casa Pia.» Responde o outro rapidamente: « Esses cús, só se forem para usar na prisão...»
Hoje de manhã saí para ir ao Banco (é fim do mês) e depois aproveitei para tomar um pequeno almoço à portuguesa. Um galão quentinho e um croissant com creme de ovo. Sento-me no café (uma descoberta feliz...), e enquanto saboreio o bolo, começo a prestar atenção à conversa da mesa ao lado. Eu sei, pensam que sou cusco, mas não, a conversa era para todos e o Café estava praticamente vazio. Falava-se de pedofília e do Herman, ícone do humor português, ao que se diz apanhado nas malhas da justiça. Entre promessas de castração e gritos de revolta, um senhor, já avançado na idade, sugere uma solução para o drama que se vive: «Eles deviam era ir ao Japão comprar uns cús de plástico que lá há, que parecem verdadeiros, como os pénis que há por aí. Assim não precisavam mais dos putos da Casa Pia.» Responde o outro rapidamente: « Esses cús, só se forem para usar na prisão...»
domingo, 25 de maio de 2003
Isto de ser cristão tem muito que se lhe diga...
É verdade. O que vou escrever a seguir talvez não faça muito sentido para quem leia este blog e não esteja directamente ligado ao Cristianismo, na forma prática e institucional, como eu , e outros bloggers o vivemos. Cá vamos então: De facto, hoje visitei um lar muito «sui generis»! Uma família de emigrantes brasileiros, em Porto Salvo, que alugam quartos da sua casa a outros emigrantes. Nada de especial haveria a contar a não ser o facto de que os quartos se encontram na sua própria casa. Assim, esta família prescindiu do quarto do filho (que dorme com eles e tem 14 anos), da sala, da sua privacidade, para poder albergar mais outras três famílias. Vivem lá cerca de 14 pessoas, partilhando cozinha, wc e,...tudo!!!
Demora um pouco até interiorizarmos a profundidade desta filosofia, mas quando lá chegamos ficamos maravilhados com o que se passa dentro do coração desta gente. É por amor a Deus e ao próximo que o fazem, e isso, é bem visível nas suas palavras e atitudes. não há luxo, nem conforto, nem electrodomésticos supérfluos. Nem fazem falta. Existem valores morais, altruísmo e respeito pela dignidade humana suficientes para transbordar o copo.
Num mundo em que se luta pela casa «com tudo», o carro « 0 Km», e outras idiotices que tal, fica aqui um pequeno "food for thought"...
É verdade. O que vou escrever a seguir talvez não faça muito sentido para quem leia este blog e não esteja directamente ligado ao Cristianismo, na forma prática e institucional, como eu , e outros bloggers o vivemos. Cá vamos então: De facto, hoje visitei um lar muito «sui generis»! Uma família de emigrantes brasileiros, em Porto Salvo, que alugam quartos da sua casa a outros emigrantes. Nada de especial haveria a contar a não ser o facto de que os quartos se encontram na sua própria casa. Assim, esta família prescindiu do quarto do filho (que dorme com eles e tem 14 anos), da sala, da sua privacidade, para poder albergar mais outras três famílias. Vivem lá cerca de 14 pessoas, partilhando cozinha, wc e,...tudo!!!
Demora um pouco até interiorizarmos a profundidade desta filosofia, mas quando lá chegamos ficamos maravilhados com o que se passa dentro do coração desta gente. É por amor a Deus e ao próximo que o fazem, e isso, é bem visível nas suas palavras e atitudes. não há luxo, nem conforto, nem electrodomésticos supérfluos. Nem fazem falta. Existem valores morais, altruísmo e respeito pela dignidade humana suficientes para transbordar o copo.
Num mundo em que se luta pela casa «com tudo», o carro « 0 Km», e outras idiotices que tal, fica aqui um pequeno "food for thought"...
quarta-feira, 21 de maio de 2003
Um pensamento do Ruka, no País de Gales...
Solidão
Sinto-me só...só como um grão de areia numa vasta praia! Só como uma simples folha numa floresta, sou uma folha caída, seca, negra, fria, estática. Rodeado por todos e por ninguém. Por tudo e por nada. Existem folhas na minha arvore, grãos da minha praia que se preocupam em me ver feliz, mas do que vale isso se a raiz, se o mar, não percebe a minha solidão? Paro e penso: “Porquê?” qual é a razão que levaria a solidão a acompanhar-me tão intensivamente? Uma expressão de descontentamento, de frustração é desenhada no meu rosto com lápis de lacuna. Rogo misericórdia, mas nada... imploro ajuda mas só consigo obter ausência. Oh, céu divino! Eu demando algo, um amor, uma amizade, nada mais! As flores continuam coloridas, os grãos continuam sós e eu nada...!
Põe fim a isto, desisto, não tenho mais forças para lutar pelo preenchimento de um buraco sem fundo. Tento enganar a alma com um livro, consigo fazê-lo mas no momento que o fecho nada mais me resta, apenas a lembrança. Que lembrança! Recordo o passado, recordo até as ultimas linhas daquilo que me torna feliz por uma hora ou duas... mas para além disso, que água? Que mundo? Que riso? Que nada? Oh, nada! O nada é maçador, é cansativo, o nada é tudo para mim.
Solidão
Sinto-me só...só como um grão de areia numa vasta praia! Só como uma simples folha numa floresta, sou uma folha caída, seca, negra, fria, estática. Rodeado por todos e por ninguém. Por tudo e por nada. Existem folhas na minha arvore, grãos da minha praia que se preocupam em me ver feliz, mas do que vale isso se a raiz, se o mar, não percebe a minha solidão? Paro e penso: “Porquê?” qual é a razão que levaria a solidão a acompanhar-me tão intensivamente? Uma expressão de descontentamento, de frustração é desenhada no meu rosto com lápis de lacuna. Rogo misericórdia, mas nada... imploro ajuda mas só consigo obter ausência. Oh, céu divino! Eu demando algo, um amor, uma amizade, nada mais! As flores continuam coloridas, os grãos continuam sós e eu nada...!
Põe fim a isto, desisto, não tenho mais forças para lutar pelo preenchimento de um buraco sem fundo. Tento enganar a alma com um livro, consigo fazê-lo mas no momento que o fecho nada mais me resta, apenas a lembrança. Que lembrança! Recordo o passado, recordo até as ultimas linhas daquilo que me torna feliz por uma hora ou duas... mas para além disso, que água? Que mundo? Que riso? Que nada? Oh, nada! O nada é maçador, é cansativo, o nada é tudo para mim.
O "Rei Daniro"
O meu amigo Rui Daniro, também conhecido como "Ruka", é um tipo fantástico. Os pais ficaram em Angola e o Ruka foi criado pela avó. Os papéis inverteram-se quando ela adoeceu. Os dois sozinhos lá em casa e o Ruka a estudar e a fazer tudo sozinho. Mas ainda tinha tempo para os amigos, para Deus, para o futebol e tantas outras coisas. Este ano decidiu deixar tudo e partir para o País de Gales para completar os seus estudos universitários. Cheio de coragem, lá foi, sozinho, à procura de dias melhores. E conseguiu! Apesar de ter ido só, já conhece meio mundo por lá, é o Deco da equipa de futebol da Faculdade, está envolvido activamente no Grupo bíblico Universitário, frequenta uma igreja e está a ter boas notas. Grande Ruka!!! Exemplos com o teu, são precisos e valem muito. Não há por aí muita gente com a tua fibra. Continua a inspirar-me!
O meu amigo Rui Daniro, também conhecido como "Ruka", é um tipo fantástico. Os pais ficaram em Angola e o Ruka foi criado pela avó. Os papéis inverteram-se quando ela adoeceu. Os dois sozinhos lá em casa e o Ruka a estudar e a fazer tudo sozinho. Mas ainda tinha tempo para os amigos, para Deus, para o futebol e tantas outras coisas. Este ano decidiu deixar tudo e partir para o País de Gales para completar os seus estudos universitários. Cheio de coragem, lá foi, sozinho, à procura de dias melhores. E conseguiu! Apesar de ter ido só, já conhece meio mundo por lá, é o Deco da equipa de futebol da Faculdade, está envolvido activamente no Grupo bíblico Universitário, frequenta uma igreja e está a ter boas notas. Grande Ruka!!! Exemplos com o teu, são precisos e valem muito. Não há por aí muita gente com a tua fibra. Continua a inspirar-me!
terça-feira, 20 de maio de 2003
A véspera da final
Hoje acordei desorientado, ansioso, despassarado. Como não tinha nada de urgente a fazer, não entendi à primeira, até que me dei conta que hoje é ...a vespera da final. Até há algum tempo atrás, pensava que tinha curado muito do meu fanatismo pelo futebol, e pelo FCP em particular. Mas pelos vistos, qual vírus letal, o bicho volta a atacar. Estou dominado por ele, e sei que isto só vai passar quando o jogo tiver terminado. Triste tortura!!! Há ainda outro problema: É bom que o Porto ganhe, porque senão virá a ressaca desta tensão toda acumulada, o que não será nada agradável para quem partilha o dia a dia comigo. Porto, Porto a quanto obrigas...
Hoje acordei desorientado, ansioso, despassarado. Como não tinha nada de urgente a fazer, não entendi à primeira, até que me dei conta que hoje é ...a vespera da final. Até há algum tempo atrás, pensava que tinha curado muito do meu fanatismo pelo futebol, e pelo FCP em particular. Mas pelos vistos, qual vírus letal, o bicho volta a atacar. Estou dominado por ele, e sei que isto só vai passar quando o jogo tiver terminado. Triste tortura!!! Há ainda outro problema: É bom que o Porto ganhe, porque senão virá a ressaca desta tensão toda acumulada, o que não será nada agradável para quem partilha o dia a dia comigo. Porto, Porto a quanto obrigas...
Vida no Alentejo III
Uma das vantagens de se viver numa casa de piso térreo, é o facto de que se pode vir à rua a qualquer momento sem ter que descer e subir infínitos lanços de escadas. Talvez por isso, tenha aprendido a apreciar o por do sol, sentado no degrau da porta da rua da minha casa. Entre o cantar das aves, o silvar do vento nas árvores e a luz quente que lentamente desaparece, aprende-se a gostar muito deste lugar e desta gente. Está é uma vantagens que o Alentejo ainda tem e que, espero, não se venha a perder. Esta qualidade de vida, por mais estranho que pareça, não é valorizada pelos jovens daqui. Sonham com Lisboa, as discos, a night, a agitação. Depressa hão-de concluir que "...there´s no place like home...". É curiosa a forma como vamos dando valor a coisa diferentes em etapas diferentes da vida.
Uma das vantagens de se viver numa casa de piso térreo, é o facto de que se pode vir à rua a qualquer momento sem ter que descer e subir infínitos lanços de escadas. Talvez por isso, tenha aprendido a apreciar o por do sol, sentado no degrau da porta da rua da minha casa. Entre o cantar das aves, o silvar do vento nas árvores e a luz quente que lentamente desaparece, aprende-se a gostar muito deste lugar e desta gente. Está é uma vantagens que o Alentejo ainda tem e que, espero, não se venha a perder. Esta qualidade de vida, por mais estranho que pareça, não é valorizada pelos jovens daqui. Sonham com Lisboa, as discos, a night, a agitação. Depressa hão-de concluir que "...there´s no place like home...". É curiosa a forma como vamos dando valor a coisa diferentes em etapas diferentes da vida.
Vida no Alentejo II
Como o meu caro cunhado e amigo sugere no seu post, de facto aqui não há, nem por sombras, traços da delinquência sub urbana a que, estranhamente, me habituei. Ainda hoje, cheguei tardissimo a casa e, apesar de não ter razões para isso, vim sempre a olhar para trás para ver se vinha alguém. Hábitos que não se perdem. "...homem prevenido vale por dois..."
Como o meu caro cunhado e amigo sugere no seu post, de facto aqui não há, nem por sombras, traços da delinquência sub urbana a que, estranhamente, me habituei. Ainda hoje, cheguei tardissimo a casa e, apesar de não ter razões para isso, vim sempre a olhar para trás para ver se vinha alguém. Hábitos que não se perdem. "...homem prevenido vale por dois..."
domingo, 18 de maio de 2003
Vida no Alentejo I
Hoje à tarde estive nas Tasquinhas (evento gastronómico) aqui de Vendas Novas, acompanhado da minha esposa e de um casal amigo. Apesar dos caracóis estarem no ponto, e do chouriço assado não lhe ficar atrás, não pude deixar de me sentir um pouco estranho. Olhando à minha volta eu destacava-me claramente do resto das pessoas que ali estavam, pela cor e pelo aspecto claro! Não tenho qualquer problema com isso, aliás pelo contrário, mas não posso deixar de pensar que a diversidade étnica do nosso país, se encontra, ainda, bastante confinada às grandes áreas urbanas e seus subúrbios.
Tenho observado que as sociedades urbano/rurais se fecham um pouco em si mesmas, impedindo os estranhos de entrar. E, não querendo levantar polémica, aqui, ainda se olha de suslaio para alguém de cor diferente.
Como já referi em outros posts, este Portugal é bastante diferente do Portugal de onde vim. Um bairro margem sul, retornados, todas as cores e raças. É possível que ainda não me tenha adaptado bem, mas a verdade é que as comunidades africanas não saem desses mesmos bairros e subúrbios...
Para quando um Portugal que assumirá na totalidade essa diversidade étnica?
Hoje à tarde estive nas Tasquinhas (evento gastronómico) aqui de Vendas Novas, acompanhado da minha esposa e de um casal amigo. Apesar dos caracóis estarem no ponto, e do chouriço assado não lhe ficar atrás, não pude deixar de me sentir um pouco estranho. Olhando à minha volta eu destacava-me claramente do resto das pessoas que ali estavam, pela cor e pelo aspecto claro! Não tenho qualquer problema com isso, aliás pelo contrário, mas não posso deixar de pensar que a diversidade étnica do nosso país, se encontra, ainda, bastante confinada às grandes áreas urbanas e seus subúrbios.
Tenho observado que as sociedades urbano/rurais se fecham um pouco em si mesmas, impedindo os estranhos de entrar. E, não querendo levantar polémica, aqui, ainda se olha de suslaio para alguém de cor diferente.
Como já referi em outros posts, este Portugal é bastante diferente do Portugal de onde vim. Um bairro margem sul, retornados, todas as cores e raças. É possível que ainda não me tenha adaptado bem, mas a verdade é que as comunidades africanas não saem desses mesmos bairros e subúrbios...
Para quando um Portugal que assumirá na totalidade essa diversidade étnica?
quinta-feira, 15 de maio de 2003
Dani,
Os Lakers disputam uma semi final de Conferência Oeste efervescente com os Spurs. Estava 3-2 a favor destes com o próximo jogo a disputar-se em LA. Força Kobe e Shaq. A equipa do teu burgo está a surpreender. Depois de anos a fio a ser a pior da NBA, ressurge para uma grande campanha. Vai ser interessante ver até onde poderão chegar.
Os Lakers disputam uma semi final de Conferência Oeste efervescente com os Spurs. Estava 3-2 a favor destes com o próximo jogo a disputar-se em LA. Força Kobe e Shaq. A equipa do teu burgo está a surpreender. Depois de anos a fio a ser a pior da NBA, ressurge para uma grande campanha. Vai ser interessante ver até onde poderão chegar.
Au!!!
O que mais temia veio a acontecer. O fantasma da contínua Graciete reapareceu na pessoa da Charlotte. A repreensão demorou, mas chegou. E ninguém tem dúvidas de que realmente a bomba é muito inteligente. É inteligente, mas tendenciosa. A retórica impressiona, mas não convence!
Em primeiro lugar, nunca disse, em post algum, que tinha problemas com a palavra autoridade, pelo que, posso concluir que a bomba se guiou pela intuição. Também não disse que tinha problemas com o JPP. Aliás, confessei-me social democrata. O que disse muito simplesmente é que me deu vontade rir a forma como o pessoal de dobrou ao peso do homem. Parecia uma aparição, como a que se celebrou ontem em Fátima.
Voltando ao ataque bombista, este foi perpetrado com «cocktails molotof» e não com bombas «high tech».
A nossa estratega agarrou-se ao latim (eu pessoalmente prefiro o grego), para fundamentar o meu erro, mas não leu bem o dicionário.
“...O autor é quem tem autoridade; é quem cria e acrescenta alguma coisa...” De facto tem razão. Mas é preciso ter alguma precaução, pois não é dito que tipo de coisa é criada ou acrescentada. É alguma coisa...e a história tem-nos mostrado que algumas coisas não deviam ter sido criadas nem sequer acrescentadas. O que nem é o caso do JPP...
Quanto à citação de Maria Pereira (conselheira de guerra), padece da semelhante enfermidade: “...apenas e somente pelo peso da pessoa ou corporação que toma ou sanciona uma decisão...” Mais uma vez nada é dito acerca da qualidade moral da pessoa ou da corporação, nem do carácter da decisão.
Concluo, por isso, que não era necessária tanta investigação. O dicionário de português corrente traduz a minha intenção de forma bastante cristalina ao descrever o termo autoridade: ”...poder de mandar; domínio; poder; pessoa que exerce o poder; mando; etc.”
Quanto a autor a mesma obra diz: “...o que é causa; motivo; fundador; inventor; chefe; cabeça”.
Para mim, não se é autoridade só porque se cria algo, ou porque se tem peso na sociedade. É autoridade para mim, quem é um exemplo em termos morais, espirituais e humanistas. E aí, cara Charlotte não se pode obrigar ninguém a pensar como nós. Não sou mesquinho e acredito que reconhecer o valor de alguém não implica submissão a esse mesmo alguém. Tanto reconheço o valor do JPP, como o do meu amigo Miguel que passa o dia a carregar porcos, mas que é um exemplo de grande homem, como aliás, já escrevi em outro post.
A bomba falha o alvo quando me acusa de não estar preparado nem educado para isso. Como tem tanta certeza? Intuição? Não julgue o todo pela parte.
É pena que a bomba tenha tentado bombardear sem motivo. Fica o registo.
O que mais temia veio a acontecer. O fantasma da contínua Graciete reapareceu na pessoa da Charlotte. A repreensão demorou, mas chegou. E ninguém tem dúvidas de que realmente a bomba é muito inteligente. É inteligente, mas tendenciosa. A retórica impressiona, mas não convence!
Em primeiro lugar, nunca disse, em post algum, que tinha problemas com a palavra autoridade, pelo que, posso concluir que a bomba se guiou pela intuição. Também não disse que tinha problemas com o JPP. Aliás, confessei-me social democrata. O que disse muito simplesmente é que me deu vontade rir a forma como o pessoal de dobrou ao peso do homem. Parecia uma aparição, como a que se celebrou ontem em Fátima.
Voltando ao ataque bombista, este foi perpetrado com «cocktails molotof» e não com bombas «high tech».
A nossa estratega agarrou-se ao latim (eu pessoalmente prefiro o grego), para fundamentar o meu erro, mas não leu bem o dicionário.
“...O autor é quem tem autoridade; é quem cria e acrescenta alguma coisa...” De facto tem razão. Mas é preciso ter alguma precaução, pois não é dito que tipo de coisa é criada ou acrescentada. É alguma coisa...e a história tem-nos mostrado que algumas coisas não deviam ter sido criadas nem sequer acrescentadas. O que nem é o caso do JPP...
Quanto à citação de Maria Pereira (conselheira de guerra), padece da semelhante enfermidade: “...apenas e somente pelo peso da pessoa ou corporação que toma ou sanciona uma decisão...” Mais uma vez nada é dito acerca da qualidade moral da pessoa ou da corporação, nem do carácter da decisão.
Concluo, por isso, que não era necessária tanta investigação. O dicionário de português corrente traduz a minha intenção de forma bastante cristalina ao descrever o termo autoridade: ”...poder de mandar; domínio; poder; pessoa que exerce o poder; mando; etc.”
Quanto a autor a mesma obra diz: “...o que é causa; motivo; fundador; inventor; chefe; cabeça”.
Para mim, não se é autoridade só porque se cria algo, ou porque se tem peso na sociedade. É autoridade para mim, quem é um exemplo em termos morais, espirituais e humanistas. E aí, cara Charlotte não se pode obrigar ninguém a pensar como nós. Não sou mesquinho e acredito que reconhecer o valor de alguém não implica submissão a esse mesmo alguém. Tanto reconheço o valor do JPP, como o do meu amigo Miguel que passa o dia a carregar porcos, mas que é um exemplo de grande homem, como aliás, já escrevi em outro post.
A bomba falha o alvo quando me acusa de não estar preparado nem educado para isso. Como tem tanta certeza? Intuição? Não julgue o todo pela parte.
É pena que a bomba tenha tentado bombardear sem motivo. Fica o registo.
segunda-feira, 12 de maio de 2003
Estou fulo.
Uma das miúdas a quem dou explicações disse à avó que eu era estúpido, parvo, e que estou sempre a dar-lhe sermões. Isto porque já não lhe apetece vir mais à explicação!!! Anda aqui uma pessoa a perder tempo, energia e paciência para ouvir cenas destas. É assim que se paga a dedicação ao ensino. Começo a perceber muito melhor os desabafos da minha mulher...Bem, na volta sou mau explicador e a miúda tem razão. Será que sou parvo por tentar-lhe ensinar as tabuadas do dois até ao nove que ela devia estar farta de saber, e que sou estúpido por tentar ensinar-lhe o que foi a ditadura de Salazar?
Os sermões até podiam ser das escrituras, mas não. Cenas do tipo: estuda pelo menos 30 minutos por dia, esforça-te, não desistas, são vistas com sermões. Vá-se lá saber o que se passa na cabeça destes putos!!! Na minha eu sei: Estou fulo!!!
Uma das miúdas a quem dou explicações disse à avó que eu era estúpido, parvo, e que estou sempre a dar-lhe sermões. Isto porque já não lhe apetece vir mais à explicação!!! Anda aqui uma pessoa a perder tempo, energia e paciência para ouvir cenas destas. É assim que se paga a dedicação ao ensino. Começo a perceber muito melhor os desabafos da minha mulher...Bem, na volta sou mau explicador e a miúda tem razão. Será que sou parvo por tentar-lhe ensinar as tabuadas do dois até ao nove que ela devia estar farta de saber, e que sou estúpido por tentar ensinar-lhe o que foi a ditadura de Salazar?
Os sermões até podiam ser das escrituras, mas não. Cenas do tipo: estuda pelo menos 30 minutos por dia, esforça-te, não desistas, são vistas com sermões. Vá-se lá saber o que se passa na cabeça destes putos!!! Na minha eu sei: Estou fulo!!!
À bomba...
...quero mais uma vez agradecer a gentileza de nos mencionar no seu blog. Gostei da ligação entre os diversos blogs, tipo máfia...
Obrigado também pela nova versão do meu nick, (Mukankas). Escusada era a ameaça de raspanete por causa do JPP. Fizeste-me lembrar os tempos do Colégio e a D. Graciete que nos prometia tareias por levantarmos as saias das meninas.
Eu gosto do JPP e (não devia dizer isto!!!) até simpatizo, desde muito jovem, com a social democracia. O problema está na palavra por ti utilizada: "Autoridade". Eu gosto do homem, mas para mim ele não é uma autoridade. É só!
...quero mais uma vez agradecer a gentileza de nos mencionar no seu blog. Gostei da ligação entre os diversos blogs, tipo máfia...
Obrigado também pela nova versão do meu nick, (Mukankas). Escusada era a ameaça de raspanete por causa do JPP. Fizeste-me lembrar os tempos do Colégio e a D. Graciete que nos prometia tareias por levantarmos as saias das meninas.
Eu gosto do JPP e (não devia dizer isto!!!) até simpatizo, desde muito jovem, com a social democracia. O problema está na palavra por ti utilizada: "Autoridade". Eu gosto do homem, mas para mim ele não é uma autoridade. É só!
sábado, 10 de maio de 2003
Ó Lopes...
É indisfarçável a tua dor de cotovelo em relação a um clube tão pequeno como o meu FCP. Realmente deve ser doloroso para quem pertence à multidão dos 6 milhões, estar vergado à classe e supremacia de um clube da bairro. E que clube: nos últimos dez anos foi 6 vezes campeão, 5 das quais seguidas (Penta), este ano finalista da UEFA, da taça, enfim...Glórias. Começo a pensar se não são vocês, os lampiões, que têm de começar a mostrar que, na prática, são melhores que o Gil Vicente ou o Vitória de Setúbal. É que já vão entrar no doloroso décimo ano de jejum...viva o Benfica!
É indisfarçável a tua dor de cotovelo em relação a um clube tão pequeno como o meu FCP. Realmente deve ser doloroso para quem pertence à multidão dos 6 milhões, estar vergado à classe e supremacia de um clube da bairro. E que clube: nos últimos dez anos foi 6 vezes campeão, 5 das quais seguidas (Penta), este ano finalista da UEFA, da taça, enfim...Glórias. Começo a pensar se não são vocês, os lampiões, que têm de começar a mostrar que, na prática, são melhores que o Gil Vicente ou o Vitória de Setúbal. É que já vão entrar no doloroso décimo ano de jejum...viva o Benfica!
Revolução
Parece que os meus últimos posts agitaram algumas consciências mais distraídas, incluindo pessoal da família, como a Voz ou o Tudo menos política.
Não há nada como um bocadinho de Jindungo para dar mais paladar ao universo blogger. Só uma nota de rodapé: No exercício da minha escrita não busco aprovação ou concensos. Escrevo o que me vai alma. É o orgulho africano :) ! E por falar em africano lembrei-me de Bob Marley, ídolo negro recentemente comparado pela mesma Voz, com o já famoso JPP.
Eu penso que os poemas de Sá de Miranda e os comentários políticos nunca vão chegar aos calcanhares do Profeta do 3º mundo. Por isso fica aqui um poema escrito pelo próprio, em homenagem aos Pachequistas.
We refuse to be
What you wanted us to be
We are what we are
That's the way it's going to be, if you don't know
You can't educate I
For no equal opportunity
Talking about my freedom
People freedom and liberty
Yeah, we've been trodding on
The winepress much too long
Rebel, Rebel
We've been trodding on the
Winepress much too long, Rebel
Babylon System is the Vampire
Sucking the children day by day
Me say the Babylon System is the Vampire
Sucking the blood of the sufferers
Building church and university
Deceiving the people continually
Me say them graduating thieves and murderers
Look out now
Sucking the blood of the sufferers
in Babylon Sistem, Survival
Parece que os meus últimos posts agitaram algumas consciências mais distraídas, incluindo pessoal da família, como a Voz ou o Tudo menos política.
Não há nada como um bocadinho de Jindungo para dar mais paladar ao universo blogger. Só uma nota de rodapé: No exercício da minha escrita não busco aprovação ou concensos. Escrevo o que me vai alma. É o orgulho africano :) ! E por falar em africano lembrei-me de Bob Marley, ídolo negro recentemente comparado pela mesma Voz, com o já famoso JPP.
Eu penso que os poemas de Sá de Miranda e os comentários políticos nunca vão chegar aos calcanhares do Profeta do 3º mundo. Por isso fica aqui um poema escrito pelo próprio, em homenagem aos Pachequistas.
We refuse to be
What you wanted us to be
We are what we are
That's the way it's going to be, if you don't know
You can't educate I
For no equal opportunity
Talking about my freedom
People freedom and liberty
Yeah, we've been trodding on
The winepress much too long
Rebel, Rebel
We've been trodding on the
Winepress much too long, Rebel
Babylon System is the Vampire
Sucking the children day by day
Me say the Babylon System is the Vampire
Sucking the blood of the sufferers
Building church and university
Deceiving the people continually
Me say them graduating thieves and murderers
Look out now
Sucking the blood of the sufferers
in Babylon Sistem, Survival
sexta-feira, 9 de maio de 2003
Também ainda não percebi...
Porque é que blog que não fale do política não entra no "mainstream". Será a retórica elaborada que discorre sobre as incidências do mundo político sinal de maior inteligência?
Para mim, não! E como a minha opinião não conta para nada, sou livre de expressá-la livremente. Por exemplo: Voltando ao Pacheco (desculpe lá) seria interessante ver o "god" falar um pouco dele como pessoa, mostrar o que vai lá dentro, sentimentos , emoções...e quem do JPP diz dos outros também.
O universo blog é muito engraçado, mas falta-lhe alma, ainda que, reconheço, esse não seja o objectivo da maioria dos bloggers.
Tudo espremido, fica muito pouco, que contribua para um mundo melhor...tanta letra e tão pouco coração!
Porque é que blog que não fale do política não entra no "mainstream". Será a retórica elaborada que discorre sobre as incidências do mundo político sinal de maior inteligência?
Para mim, não! E como a minha opinião não conta para nada, sou livre de expressá-la livremente. Por exemplo: Voltando ao Pacheco (desculpe lá) seria interessante ver o "god" falar um pouco dele como pessoa, mostrar o que vai lá dentro, sentimentos , emoções...e quem do JPP diz dos outros também.
O universo blog é muito engraçado, mas falta-lhe alma, ainda que, reconheço, esse não seja o objectivo da maioria dos bloggers.
Tudo espremido, fica muito pouco, que contribua para um mundo melhor...tanta letra e tão pouco coração!
Ainda não percebi...
O porquê de tanta subserviência ao Pacheco Pereira. Só porque o homem fez um Blog? Ou porque aparece na Tv e é Deputado Europeu e mais não sei o quê?
Não tenho nada contra ele, mas é mesmo necessário por-se toda a gente de joelhos? como diria o diácono: ...Não havia necessidade...
O porquê de tanta subserviência ao Pacheco Pereira. Só porque o homem fez um Blog? Ou porque aparece na Tv e é Deputado Europeu e mais não sei o quê?
Não tenho nada contra ele, mas é mesmo necessário por-se toda a gente de joelhos? como diria o diácono: ...Não havia necessidade...
quarta-feira, 7 de maio de 2003
O meu amigo Miguel
É um romeno de 53 anos que deixou tudo para trás para vir trabalhar em Portugal. Levanta-se às quatro da manhã para ir carregar porcos e trabalhar no campo, entre outras coisas. Ganha 500€ por mês que são esticados entre Vendas Novas e a Roménia. É soldador, dos bons, mas ninguém lhe dá trabalho nisso, só nos porcos. Vive numa casa vazia, sem televisão nem telefone. Tem uma mesa, um fogão tipo campismo, uma cama velha, com 2 cobertores velhos. A casa é fria, mas não vi aquecedores. Está isolado num monte alentejano.
Miguel ou Mihai, recebe durante o mês de Maio a visita da sua esposa Maria, a qual não via para mais de um ano. Está contente, ela traz notícias frescas dos filhos, dos amigos, da família, da igreja. recebe-me no seu quarto, e entre duas fatias de Salame (feito pela Maria) e um copo de Cola do Lidl, falamos de nós, da vida, de Deus. E os olhos do Miguel brilhavam enquanto se esforçava para que o entendesse no seu português autodidata « eu trabalha muito, não tem tempo para estudar ». Olhando para o álbum de fotos que trouxeram da Roménia, vejo o casamento da filha, a sua vivenda de dois andares, os amigos, os filhos, a igreja cheia, e fico a pensar: o que é que faz esta gente aqui?
De facto, penso que o velho ditado «quem vê caras não vê corações» ganha cada vez mais significado nos tempos em que vivemos, baralhados pelo engano das "aparências".
Por detrás do saco do Lidl, o Miguel é apenas mais um «emigrante de Leste», mas para mim, é um amigo, um irmão em Cristo e um grande homem.
É um romeno de 53 anos que deixou tudo para trás para vir trabalhar em Portugal. Levanta-se às quatro da manhã para ir carregar porcos e trabalhar no campo, entre outras coisas. Ganha 500€ por mês que são esticados entre Vendas Novas e a Roménia. É soldador, dos bons, mas ninguém lhe dá trabalho nisso, só nos porcos. Vive numa casa vazia, sem televisão nem telefone. Tem uma mesa, um fogão tipo campismo, uma cama velha, com 2 cobertores velhos. A casa é fria, mas não vi aquecedores. Está isolado num monte alentejano.
Miguel ou Mihai, recebe durante o mês de Maio a visita da sua esposa Maria, a qual não via para mais de um ano. Está contente, ela traz notícias frescas dos filhos, dos amigos, da família, da igreja. recebe-me no seu quarto, e entre duas fatias de Salame (feito pela Maria) e um copo de Cola do Lidl, falamos de nós, da vida, de Deus. E os olhos do Miguel brilhavam enquanto se esforçava para que o entendesse no seu português autodidata « eu trabalha muito, não tem tempo para estudar ». Olhando para o álbum de fotos que trouxeram da Roménia, vejo o casamento da filha, a sua vivenda de dois andares, os amigos, os filhos, a igreja cheia, e fico a pensar: o que é que faz esta gente aqui?
De facto, penso que o velho ditado «quem vê caras não vê corações» ganha cada vez mais significado nos tempos em que vivemos, baralhados pelo engano das "aparências".
Por detrás do saco do Lidl, o Miguel é apenas mais um «emigrante de Leste», mas para mim, é um amigo, um irmão em Cristo e um grande homem.
Estou deprimido
O meu médico disse-me que tenho uma hérnia discal. Para além das dores horríveis, não posso praticar desporto, nem sequer correr. Para um tipo de 28 anos, o prognóstico não é nada animador...restam-me as palavras de Deus a Paulo, numa circunstância semelhante: "...A minha graça te basta..."
O meu médico disse-me que tenho uma hérnia discal. Para além das dores horríveis, não posso praticar desporto, nem sequer correr. Para um tipo de 28 anos, o prognóstico não é nada animador...restam-me as palavras de Deus a Paulo, numa circunstância semelhante: "...A minha graça te basta..."
segunda-feira, 5 de maio de 2003
Ainda os Campeões
De facto, ser portista na margem Sul do Tejo, onde cresci, não foi fácil, como não o é no Alentejo. Isto porque, infelizmente, a Imprensa do nosso país, de cor verde e vermelha, esforça-se para reduzir a grandeza do Porto ao mínimo, apenas interessada nas vendas e adulterando conteúdos tipo propaganda fascista de tempos passados. Assim, é impossível ter um diálogo sério e desportivo com alguém de outra cor que não o azul. Vêm sempre com a mesma conversa: Os árbitros, o Pinto da Costa, etc. Por isso, ser Campeão Nacional é um acontecimento que me dá imenso gozo e alegria. Afinal de contas, vale a pena pertencer a uma minoria, ainda que isso me custe algumas "bocas da reacção".
Há muitos portistas por esse Portugal fora e não somente no Porto. E a grandeza deste clube, ainda que custe a muita gente, é real, que o diga a Lázio de Roma e o resto da Europa. Daremos um salto de maturidade cívica quando a maioria vermelha e verde, souber aceitar desportivamente as vitórias de outros clubes que não os seus.
De facto, ser portista na margem Sul do Tejo, onde cresci, não foi fácil, como não o é no Alentejo. Isto porque, infelizmente, a Imprensa do nosso país, de cor verde e vermelha, esforça-se para reduzir a grandeza do Porto ao mínimo, apenas interessada nas vendas e adulterando conteúdos tipo propaganda fascista de tempos passados. Assim, é impossível ter um diálogo sério e desportivo com alguém de outra cor que não o azul. Vêm sempre com a mesma conversa: Os árbitros, o Pinto da Costa, etc. Por isso, ser Campeão Nacional é um acontecimento que me dá imenso gozo e alegria. Afinal de contas, vale a pena pertencer a uma minoria, ainda que isso me custe algumas "bocas da reacção".
Há muitos portistas por esse Portugal fora e não somente no Porto. E a grandeza deste clube, ainda que custe a muita gente, é real, que o diga a Lázio de Roma e o resto da Europa. Daremos um salto de maturidade cívica quando a maioria vermelha e verde, souber aceitar desportivamente as vitórias de outros clubes que não os seus.
sábado, 3 de maio de 2003
Um País com mundos tão diferentes
A Magda é uma miúda de doze anos a quem dou explicações. Hoje baldou-se e deixou-me pendurado. Não é habito seu, por isso estranhei a sua atitude. Quando chegou a sua companheira, descobri que a Magda tinha planeado uma fuga até ao Fórum Montijo. Para quem vive nas grandes cidades, isto é apenas uma balda, mas para a Magda foi algo de diferente, pois foi a primeira vez que foi a um Centro Comercial, tipo Shopping. Nunca foi ao Colombo (já lhe prometi que a minha família a leva), nunca foi a Lisboa, nunca andou de comboio, nem de barco e muito menos de avião. O sítio mais distante que já visitou foi Mourão, no Alentejo profundo, e porque dança no rancho de Vendas Novas.
E a verdade é que aqui, há mais Magdas! Em pleno século XXI, uma criança de doze anos tem que inventar esquemas para se juntar a uma colega, para ir de boleia visitar um centro comercial a 47 quilómetros da sua casa. Estamos muito longe de termos um País ao qual possamos chamar "desenvolvido", porque aqui no interior, continua tudo na mesma e vai demorar muito a mudar. É por isso que me dá vontade de rir, ao ver certos senhores a falar na Tv...
Será que a Magda poderá ser algo mais do que a dirigente do rancho?
A Magda é uma miúda de doze anos a quem dou explicações. Hoje baldou-se e deixou-me pendurado. Não é habito seu, por isso estranhei a sua atitude. Quando chegou a sua companheira, descobri que a Magda tinha planeado uma fuga até ao Fórum Montijo. Para quem vive nas grandes cidades, isto é apenas uma balda, mas para a Magda foi algo de diferente, pois foi a primeira vez que foi a um Centro Comercial, tipo Shopping. Nunca foi ao Colombo (já lhe prometi que a minha família a leva), nunca foi a Lisboa, nunca andou de comboio, nem de barco e muito menos de avião. O sítio mais distante que já visitou foi Mourão, no Alentejo profundo, e porque dança no rancho de Vendas Novas.
E a verdade é que aqui, há mais Magdas! Em pleno século XXI, uma criança de doze anos tem que inventar esquemas para se juntar a uma colega, para ir de boleia visitar um centro comercial a 47 quilómetros da sua casa. Estamos muito longe de termos um País ao qual possamos chamar "desenvolvido", porque aqui no interior, continua tudo na mesma e vai demorar muito a mudar. É por isso que me dá vontade de rir, ao ver certos senhores a falar na Tv...
Será que a Magda poderá ser algo mais do que a dirigente do rancho?
Cenas de um Casamento
Um dos assuntos que mais interesse desperta cá em casa, é COR dos nossos futuros filhos. Passo a explicar: Eu, o vosso Muka, sou de pele cor de chocolate (de leite), cabelos pretos, (mulato) e a Sara, a minha esposa, é branca, tem olhos azuis e cabelo castanho claro. Como podem imaginar as conjecturas são imensas, e entramos muitas vezes no campo das suposições, do género daquele jogo, "Quem é Quem" - Cabelos pretos, e olhos azuis, de pele escura", e aí por diante...
Ontem, no casamento do Carlos e da Sílvia, nossos amigos e também futuros jogadores do "quem é quem" racial, senta-se ao nosso lado uma senhora mulata com uma criança de cabelo loiro e de olhos azuis. Passado um pouco, pergunto à senhora quem era o bébé, pois parecia-me óbvio que estava ali por empréstimo.O espanto tomou conta de mim e da Sara! Era seu neto e filho de uma rapariga da minha cor. "Impossível", disse a Sara, alicerçada na base genética aprofundada da Faculdade. "A cor escura predomina sempre sobre a clara". Tentei uma tirada espiritual: "Deus é que escolhe a cor das crianças", tentando contornar o inexplicável. A Sara ficou mais animada, afinal de contas, já não tem que sonhar com mulatinhos todos iguais ao pai, e eu fiquei pensativo...afinal, como é que vou explicar aos alentejanos que aquela menina linda de olhos azuis é a minha filha?
Um dos assuntos que mais interesse desperta cá em casa, é COR dos nossos futuros filhos. Passo a explicar: Eu, o vosso Muka, sou de pele cor de chocolate (de leite), cabelos pretos, (mulato) e a Sara, a minha esposa, é branca, tem olhos azuis e cabelo castanho claro. Como podem imaginar as conjecturas são imensas, e entramos muitas vezes no campo das suposições, do género daquele jogo, "Quem é Quem" - Cabelos pretos, e olhos azuis, de pele escura", e aí por diante...
Ontem, no casamento do Carlos e da Sílvia, nossos amigos e também futuros jogadores do "quem é quem" racial, senta-se ao nosso lado uma senhora mulata com uma criança de cabelo loiro e de olhos azuis. Passado um pouco, pergunto à senhora quem era o bébé, pois parecia-me óbvio que estava ali por empréstimo.O espanto tomou conta de mim e da Sara! Era seu neto e filho de uma rapariga da minha cor. "Impossível", disse a Sara, alicerçada na base genética aprofundada da Faculdade. "A cor escura predomina sempre sobre a clara". Tentei uma tirada espiritual: "Deus é que escolhe a cor das crianças", tentando contornar o inexplicável. A Sara ficou mais animada, afinal de contas, já não tem que sonhar com mulatinhos todos iguais ao pai, e eu fiquei pensativo...afinal, como é que vou explicar aos alentejanos que aquela menina linda de olhos azuis é a minha filha?
quinta-feira, 1 de maio de 2003
Carlos
És da minha tribo, a dos pretos que parecem monhés. Por isso, este post é para comemorar o teu casamento, esse grande dia na vida de um homem. Estou orgulhoso de ti. Mais logo serão lágrimas e muita música da nossa, claro, para brindar a essa nova jornada da tua vida. Deus te abençõe Carlos. Sê feliz.
És da minha tribo, a dos pretos que parecem monhés. Por isso, este post é para comemorar o teu casamento, esse grande dia na vida de um homem. Estou orgulhoso de ti. Mais logo serão lágrimas e muita música da nossa, claro, para brindar a essa nova jornada da tua vida. Deus te abençõe Carlos. Sê feliz.
Aos meus Kambas*
Um tributo vale o que vale, e no fundo as palavras também, se, por detrás delas não houver uma história, cumplicidades, vidas.
Aos meus kambas quero erguer uma taça, de champagne, de amor, de gratidão, de saudade, de memórias. Juntos descobrimos a força da união, tal como nos livros de Dumas. Juntos descobrimos o amor, as dibelas*, perfumadas e dengosas*, que nos rodeavam, ao som do reggae inebriante de UB40.
Fomos invencíveis dentro do campo, grandes nós* e reviangas*, futebol solto e alegre, e grandes golos, lindos, saborosos.
Grandes conversas, sem segredos, revelando a magia da vida, ensinando os truques aos mais distraídos, apontando caminhos para o futuro...ah, se soubéssemos naquela altura o que sabemos hoje...
Aos meus kambas, quero dizer, que seremos sempre avílos*. longe ou perto, que importa? Nunca teremos essas Kinjilas*, porque depois de tantas horas horas juntos, na rua, na praia, na escola, na Kananga*, no Arregaça*, no Centro*, o que nos poderá separar? A música é que tem razão, «amigos para siempre!»
Aqui, exilado no meu querido Alentejo, aprendi a valorizar estes mambos*, por isso, sozinho, levanto essa taça...aos meus Kambas, esses muadiês* , os Kandengues* do Vale*!
Bruno (Totó), Nuno (Correia Nhako), Mauro (Xuxo), Ricardo (Kay), Fernando (Dinho), Joaquim (Quim-jó), Bruno (Pimbas), Miguel (Martinho), Paulo (Xixa), Jorge (Anjinho), Cláudio (Kudo), Bruno (Pizzi), David (Kube), Rui Sérgio (Willy Zarolho), Marco (Kareka), Rui (Kelas), Paulo (Horta) e tantos outros...
Kamba - Amigo, parceiro, irmão.
Dibela - Rapariga.
Dengosa - Insinuante.
Nó - Finta.
Revianga - Finta especial .
Avílos - Amigos.
Kinjíla - Problema, obstáculo.
Kananga- Discoteca de bairro. onde se aprendia a kizombar.
Arregaça - Campo de futebol, baptizado após um campo famoso da Luanda.
Centro - Comercial, Zona F, Vale da Amoreira.
Mambos- Coisas, assuntos.
Muadiê - Gajo, tipo, fulano.
Kandengue - puto, chaval.
Um tributo vale o que vale, e no fundo as palavras também, se, por detrás delas não houver uma história, cumplicidades, vidas.
Aos meus kambas quero erguer uma taça, de champagne, de amor, de gratidão, de saudade, de memórias. Juntos descobrimos a força da união, tal como nos livros de Dumas. Juntos descobrimos o amor, as dibelas*, perfumadas e dengosas*, que nos rodeavam, ao som do reggae inebriante de UB40.
Fomos invencíveis dentro do campo, grandes nós* e reviangas*, futebol solto e alegre, e grandes golos, lindos, saborosos.
Grandes conversas, sem segredos, revelando a magia da vida, ensinando os truques aos mais distraídos, apontando caminhos para o futuro...ah, se soubéssemos naquela altura o que sabemos hoje...
Aos meus kambas, quero dizer, que seremos sempre avílos*. longe ou perto, que importa? Nunca teremos essas Kinjilas*, porque depois de tantas horas horas juntos, na rua, na praia, na escola, na Kananga*, no Arregaça*, no Centro*, o que nos poderá separar? A música é que tem razão, «amigos para siempre!»
Aqui, exilado no meu querido Alentejo, aprendi a valorizar estes mambos*, por isso, sozinho, levanto essa taça...aos meus Kambas, esses muadiês* , os Kandengues* do Vale*!
Bruno (Totó), Nuno (Correia Nhako), Mauro (Xuxo), Ricardo (Kay), Fernando (Dinho), Joaquim (Quim-jó), Bruno (Pimbas), Miguel (Martinho), Paulo (Xixa), Jorge (Anjinho), Cláudio (Kudo), Bruno (Pizzi), David (Kube), Rui Sérgio (Willy Zarolho), Marco (Kareka), Rui (Kelas), Paulo (Horta) e tantos outros...
Kamba - Amigo, parceiro, irmão.
Dibela - Rapariga.
Dengosa - Insinuante.
Nó - Finta.
Revianga - Finta especial .
Avílos - Amigos.
Kinjíla - Problema, obstáculo.
Kananga- Discoteca de bairro. onde se aprendia a kizombar.
Arregaça - Campo de futebol, baptizado após um campo famoso da Luanda.
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Mambos- Coisas, assuntos.
Muadiê - Gajo, tipo, fulano.
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