segunda-feira, 29 de março de 2004

Tardiamente acerca da Paixão da Cristo.

Eu sei, eu sei! Já disseram tudo e mais alguma coisa! Penso é que "poucos" falaram do estranho silêncio que, creio, se fez nas salas de cinema logo após o término da película. Ouvi dizer "que as almas se questionavam tranquilamente..."

domingo, 28 de março de 2004

Estou com saudades...

...de jogar à bola no Arregaça num qualquer fim de tarde soalheiro; das gargalhadas por causa daquela "cueca"; da "revianga fudium" naquele adversário mais "matumbo"; dos meus avílos; de usar a minha camisa do Bayern; do cheiro do meu bairro.
A solidão...


...do meu grande amigo Chuinga acaba por resultar em momentos de grande profundidade intelectual e humana. Diz o Rui:

"Hoje em dia, no mundo de hoje em dia, só se dá importância às pessoas que nos fazem rir, ou aquelas que tem algo para nos dar, não importa o que seja. Um mundo dominado por interesses, por egoismos, ao ponto de nos esquecermos daqueles que em tempos preencheram as nossas vidas.
Para onde vamos? Para onde nos encaminhamos? Que queremos das nossas vidas? Que sociedade é esta? Deus pede-nos para amarmos o proximo como a nós mesmos, mas nós não, nós amamos o proximo consoante os nossos interesses. Que mundo é este?


Sem dúvida Rui. Se não tiveres nada fantástico para oferecer, nada brilhante para dizer, nada caro para mostrar, és de pouco valor. Somos avaliados muito mais pela capacidade de produzir do que pela capacidade de simplesmente...ser! Quem sabe se um dia não voltamos a dar crédito ao valor intrínseco da beleza do ser?
Do marcador de livros da "Fonte das Letras"*...

Com o olhar cheio do teu Diria a sorrir pró monte: "O cant'ro ficou na fonte Mas os beijos trouxe-os eu..."

Florbela Espanca

* Livraria em Montemor-o-Novo

quinta-feira, 11 de março de 2004

Funge com pirão

...porque o Porto é o campeão! Palavras pra quê? Hoje o dia foi Azul...não repararam?
Um ponto de ordem!

Parece que esta questão que me envolve a mim e à Papoila está a tomar contornos desproporcionados. Cabe-me, por isso, a tarefa de colocar aqui alguma ordem, se possível.

Em primeiro lugar dirigo-me à Papoila. O primeiro post que escrevi não encerra, de forma alguma, a ideia de que devia morrer. Reconheço-lhe uma certa ambiguidade na interpretação, mas é sobretudo irónico, não destrutivo. Mais uma vez, lamento o mal ententido e até posso entender, sem ressentimentos, o post de resposta. Ficam as desculpas por ter sido tão mordaz! (Sem ironia...)

Em segundo lugar dirigo-me aos "defensores" da Papoila. Creio que usaram uma linguagem baixa, ofensiva, de argumentação básica e redutora. Para quem estava a defender uma "vítima de ofensa", não foram muito criativos. A agressão gratuita nunca fica bem...

Por último, dirigo-me aos meus amigos, conhecidos e defensores da "vida". O Mukankala sabe defender-se e exprimir as suas opiniões sem "ajudas extra". Sei que são bem intencionados, mas por vezes "a emenda é pior que o soneto". O "talibanismo" fica mal em qualquer uma das vertentes assumidas.

Finalizo o meu esclarecimento defendendo a ideia de que a blogosfera é, na sua essência, um espaço livre de debate de ideias e ideais, sujeito a pontos de concordância e, como é óbvio, de discordância. O que aconteceu entre mim e a Papoila enquadra-se, na minha óptica, dentro desse contexto. Procuro não me levar demasiado a sério pois sei que isto são apenas "blogs". A própria questão do aborto disso é reflexo. Ele já está consagrado na Lei, dentro de limites, mas está, e o mundo em que vivemos caminha para a consagração do que agora se discute. Sei que, no fim das contas, tudo se resumirá a uma questão moral, em que cada um, invidualmente, agirá de acordo com a sua ética. Mas não é por isso que as ideias não se discutem e aqui e ali não se use, de vez em quando, um bocadinho de picante. Agora, não vale faltar ao respeito, insultando e vociferando quando os argumentos escorrem pelos dedos da mão.

sexta-feira, 5 de março de 2004

Quem diria?

A Papoila ofendeu-se! Ela que tem passado os últimos tempos a insultar as pessoas que discordam dela em relacão à temática do aborto. Lembro os comentários aos posts da Quezia e também da Azul Limão, ou mesmo, a reacção ao meu post que a menciona.
Deixe-me dizer-lhe, cara Papoila, e com todo o respeito que me merece, que o objectivo do referido post não é a sua morte, é, pelo contrário, o direito que você tem a viver independentemente do que diga, faça, ou possua. É que essa, é a centralidade da ética cristã se quer saber. Qualquer um tem o direito a existir, sejam quais forem as condicionantes que o rodeiam, mesmo que sejam desfavoráveis. A minha ética, ao contrário da sua, não é situacionista, pois não procura interpretar os valores à luz dos resultados.
Na realidade, só uma consciência cauterizada como a sua pode supor que lhe desejo a morte. Está errada! Quero que viva e viva com abundância, mas não posso deixar de afirmar as minhas convicções em relação a esta temática. Sou cristão, mas isso não me impede de opinar, nem de, como qualquer cidadão, dar o meu contributo para o que considero, poder elevar os valores da sociedade em que vivo.
É curioso pensar que aceitamos a ética judaico cristã - que deriva das Escrituras - para todas as áreas do direito cívil e criminal, menos para o aborto.
E você que tantas vezes usa o amor - ou a falta dele - como desculpa para a morte, devia usá-lo antes como elemento preservador da vida, seja a que preço for.
O meu objectivo, não é argumentar melhor ou pior, ou escrever o argumento final que a convencerá a mudar de opinião. O seu incómodo é notório e as palavras que usa, disso são evidência.
Uma última nota. Lamento o mal entendido, mas não vou alimentar polémicas em torno disso. Tenho lido as suas opinióes em silêncio e escusei-me várias vezes a fazer comentários às suas afirmações no Quezia. Digo isto porque provavelmente o consenso, infelizmente, será impossível de atingir. Respeito-a como ser humano, mas não posso respeitar uma opinião que tem tanto de intransigente como de irracional.


P.S. Não querendo invadir a intimidade dos comentários do seu blog, deixo aqui uma mensagem à cunhadini: Até nós, eu e você, os abortos da natureza, temos direito à vida...

quarta-feira, 3 de março de 2004

Para os dias que correm

“O português gosta de fazer projectos vagos, castelos no ar que não pensa realizar. Mas no seu íntimo, alberga uma certa esperança de que as coisas aconteçam milagrosamente...a imaginação sonhadora, a antipatia pela limitação que a razão impõe, e a crença milagreira, levam-no com frequência a situações perigosas, de que se salva pela invulgar capacidade de improvisação de que é dotado.

Jorge Dias
Lord! Lorrrrrrrrd! I believe tou can do it...


O "America's 25 Favourite Gospels & Spirituals", tem-me aquecido nestas frias manhãs do já primaveril Março.

segunda-feira, 1 de março de 2004

"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar..."*

Fica dislumbrado com o cenário impressionante das casas amontoadas sobre a encosta, seduzido pela beleza das pontes e marcado pelo respeito que a presença das edificações em granito impoêm. O Porto tem um carácter próprio, uma força que deriva da qualidade das suas gentes, pela maneira franca e audaz com que encaram a vida. É por isso que nunca me canso de visitar a cidade e cada visita é um momento de êxtase e novidade. É realmente a mui nobre e leal e invicta cidade, e os laços que me unem a ela são cada vez mais fortes.

* in "Porto sentido " de Rui Veloso