A geração do imaginário
Até há alguns anos atrás era uma realidade que me passava um bocado ao lado, mas quando conheci outras pessoas que partilhavam o mesmo que eu, rapidamente cheguei a uma conclusão: Existe, em Portugal, um grupo restricto de pessoas que tem saudades dum lugar que nunca conheceu. Essas pessoas são os filhos dos refugiados do ultramar. Tendo nascido em África, não tiveram tempo, devido ao êxodo, para conhecer a sua terra natal, mas fizeram uma construção mental e afectiva da mesma, com base nos relatos, fotos e histórias dos seus familiares mais próximos.
É certo que isto interessa a muito pouca gente, a não ser aos que, estando na mesma condição que eu, lêem este post.
É certo que também poucos terão um imaginário tão significativo, no que diz respeito às suas origens.
terça-feira, 31 de maio de 2005
O nosso problema é outro
O País está de pernas para o ar! É o que todos pensam e comentam nestes dias. O défice, o aumento do desemprego, o IVA a 21%, os combustíveis carissímos e o habitual mal estar nacional que há muito impera, colocam Portugal um pouco abaixo da " tanga". O que dizer sobre isto?
Eu creio que as atenções estão demasiado viradas para as consequências da crise e não para as causas, essas sim, dignas de serem analisadas. Porque razão Portugal não se desenvolveu o suficiente, tal como a Grécia e principalmente a Irlanda que entraram para a UE numa situação muito pior do que a nossa? Não é estranho que ao fim de 19 anos a receber fortunas, o que temos de palpável são shoppings e auto-estradas? A minha resposta centra-se num factor apenas: A falta da "cultura da excelência". Os portugueses têm falta de brio, competência e produtividade nos seus empreendimentos (de qualquer ordem), pelo que isso tem reflexos no bem estar de todos. E o pior é que os nossos governantes, em vez de darem o exemplo, são eles mesmos os maiores encorajadores e adeptos deste sistema viciado de desperdício de tempo, energia e dinheiro.
A solução não passa por apertar o cinto, mas sim por uma mudança activa e concertada de mentalidades. O que precisamos é deixar de ser o país do "chico-esperto". Se isso não acontecer vamos ter de suportar medidas drásticas o resto da vida.
O País está de pernas para o ar! É o que todos pensam e comentam nestes dias. O défice, o aumento do desemprego, o IVA a 21%, os combustíveis carissímos e o habitual mal estar nacional que há muito impera, colocam Portugal um pouco abaixo da " tanga". O que dizer sobre isto?
Eu creio que as atenções estão demasiado viradas para as consequências da crise e não para as causas, essas sim, dignas de serem analisadas. Porque razão Portugal não se desenvolveu o suficiente, tal como a Grécia e principalmente a Irlanda que entraram para a UE numa situação muito pior do que a nossa? Não é estranho que ao fim de 19 anos a receber fortunas, o que temos de palpável são shoppings e auto-estradas? A minha resposta centra-se num factor apenas: A falta da "cultura da excelência". Os portugueses têm falta de brio, competência e produtividade nos seus empreendimentos (de qualquer ordem), pelo que isso tem reflexos no bem estar de todos. E o pior é que os nossos governantes, em vez de darem o exemplo, são eles mesmos os maiores encorajadores e adeptos deste sistema viciado de desperdício de tempo, energia e dinheiro.
A solução não passa por apertar o cinto, mas sim por uma mudança activa e concertada de mentalidades. O que precisamos é deixar de ser o país do "chico-esperto". Se isso não acontecer vamos ter de suportar medidas drásticas o resto da vida.
segunda-feira, 30 de maio de 2005
Há LIDL e Minipreço em Montemor-o Novo!
Ou seja, a 25 km de minha casa. É um sinal claro de progresso. Afinal de contas, o que seria da classe média portuguesa sem o LIDL ou o Minipreço? Mas ter que fazer 50 km no total para ter acesso a qualquer um deles, diz bem do peso da interioridade neste país . E Vendas Novas fica apenas a 80 km de Lisboa. Mas vá, seja como for, fiquei tão contente que até me levantei cedo e fui à inauguração do LIDL na passada quinta feira. Desenganem-se os que pensam que fui atrás da TV écran 75 cm por 100 euros, ou do Kit telefone Portátil+ Base a 15,99 euros. Viva o progresso, viva o LIDL.
Ou seja, a 25 km de minha casa. É um sinal claro de progresso. Afinal de contas, o que seria da classe média portuguesa sem o LIDL ou o Minipreço? Mas ter que fazer 50 km no total para ter acesso a qualquer um deles, diz bem do peso da interioridade neste país . E Vendas Novas fica apenas a 80 km de Lisboa. Mas vá, seja como for, fiquei tão contente que até me levantei cedo e fui à inauguração do LIDL na passada quinta feira. Desenganem-se os que pensam que fui atrás da TV écran 75 cm por 100 euros, ou do Kit telefone Portátil+ Base a 15,99 euros. Viva o progresso, viva o LIDL.
terça-feira, 24 de maio de 2005
Por falar em África.
Este fim de semana o meu primo Pedro "regalou-me" meio quilo de café, PURO de Angola. Não imaginam o que isto significa para mim. Sei lá quantas vezes já cheirei a costura do saco, a pequena ranhura por onde exala aquele cheiro forte e intenso que me transporta para as minhas quimeras.

Angola
Este fim de semana o meu primo Pedro "regalou-me" meio quilo de café, PURO de Angola. Não imaginam o que isto significa para mim. Sei lá quantas vezes já cheirei a costura do saco, a pequena ranhura por onde exala aquele cheiro forte e intenso que me transporta para as minhas quimeras.

Angola
Maio, mês de África, mês de Evaristo.
Amanhã comemora-se o "Dia de África". É uma boa ocasição para vos introduzir ao blog do meu amigo e colega Evaristo Vieira, um guineense versado em teologia, direito, economia e política, entre outros.
Amanhã comemora-se o "Dia de África". É uma boa ocasição para vos introduzir ao blog do meu amigo e colega Evaristo Vieira, um guineense versado em teologia, direito, economia e política, entre outros.
quinta-feira, 19 de maio de 2005
Num anúncio de rádio oiço:
"O Líder é respeitado, mas o Chefe é temido". Uma verdade básica mas nem sempre assimilada por quem assume posições de liderança. Era bom que assim fosse, porque conheço muitos que pensam que têm o respeito dos liderados e tudo o que lhes resta é o poder inerente ao cargo que ocupam. Pura ilusão. É curioso notar que um líder recebe o reconhecimento, ou seja a sua autoridade, dos liderados, enquanto que o chefe impõe a sua vontade, com ou sem o consentimento dos liderados.
"O Líder é respeitado, mas o Chefe é temido". Uma verdade básica mas nem sempre assimilada por quem assume posições de liderança. Era bom que assim fosse, porque conheço muitos que pensam que têm o respeito dos liderados e tudo o que lhes resta é o poder inerente ao cargo que ocupam. Pura ilusão. É curioso notar que um líder recebe o reconhecimento, ou seja a sua autoridade, dos liderados, enquanto que o chefe impõe a sua vontade, com ou sem o consentimento dos liderados.
quarta-feira, 18 de maio de 2005
A Ponte da Vergonha
Já se passaram trinta anos sobre o início da chamada "Ponte Aérea", o evento que marcou a descolonização portuguesa das províncias ultramarinas. Este é mais um dos eventos da nossa história sobre o qual paira apenas uma imagem baça e distante. E não me espanta que assim seja. Portugal tem muito do que se envergonhar pela forma como os seus governantes conduziram este processo. Da teimosa isolacionista e medieval de Salazar, até ao laxismo socialista e marxista do pós 25 de Abril, todos têm a sua quota parte de responsabilidade. Responsabilidade em quê? Na destruição de milhares de projectos familiares construídos ao longo de toda uma vida; na quebra dos laços familiares; no desenraizamento dos que voltaram ou fugiram; no abandono a que votaram os que cá chegaram relegando-os para guettos suburbanos, comprometendo assim as aspirações das gerações futuras; na forma cobarde como se esquivaram das obrigações ao nível dos cuidados básicos como a alimentação ou abrigo.
Tenho como prova os meus avós que chegaram apenas com a roupa do corpo, a dificuldade de adaptação dos meus tios e pais a uma sociedade fechada e retrógada, a casa sem portas nem sanita que eles foram forçados a assaltar, as semanas passadas na cruz vermelha à espera de um pedaço de pão e alguns cobertores, os insultos e a descriminação quando passavam na rua.
Foi uma ponte, sim senhor, mas de vergonha. Espero que um dia haja coragem para se falar abertamente destas feridas que tardam em sarar.
Já se passaram trinta anos sobre o início da chamada "Ponte Aérea", o evento que marcou a descolonização portuguesa das províncias ultramarinas. Este é mais um dos eventos da nossa história sobre o qual paira apenas uma imagem baça e distante. E não me espanta que assim seja. Portugal tem muito do que se envergonhar pela forma como os seus governantes conduziram este processo. Da teimosa isolacionista e medieval de Salazar, até ao laxismo socialista e marxista do pós 25 de Abril, todos têm a sua quota parte de responsabilidade. Responsabilidade em quê? Na destruição de milhares de projectos familiares construídos ao longo de toda uma vida; na quebra dos laços familiares; no desenraizamento dos que voltaram ou fugiram; no abandono a que votaram os que cá chegaram relegando-os para guettos suburbanos, comprometendo assim as aspirações das gerações futuras; na forma cobarde como se esquivaram das obrigações ao nível dos cuidados básicos como a alimentação ou abrigo.
Tenho como prova os meus avós que chegaram apenas com a roupa do corpo, a dificuldade de adaptação dos meus tios e pais a uma sociedade fechada e retrógada, a casa sem portas nem sanita que eles foram forçados a assaltar, as semanas passadas na cruz vermelha à espera de um pedaço de pão e alguns cobertores, os insultos e a descriminação quando passavam na rua.
Foi uma ponte, sim senhor, mas de vergonha. Espero que um dia haja coragem para se falar abertamente destas feridas que tardam em sarar.
quarta-feira, 11 de maio de 2005
Cine Ganza
Ivo Ferreira pensou em viajar para os EUA para para fazer um filme Groovy (Fumar umas e tal...), mas rapidamante se viu confrontado com uma mudança inesperada. Afinal a película seria de Terror (Estou assustado, vou apanhar quatro anos). Ao fim de alguns dias e por falta de orçamento, passou a Melodrama (Por favor, alguém me tire daqui! O governo não faz nada por mim). O mais surpreendente é que voltou para casa com um filme sobre Mafiosos (Cometi crime, mas não fiquei preso...).
Obrigado Ivo pela curta metragem, uma autêntica obra prima no panorama cinematográfico português.
Ivo Ferreira pensou em viajar para os EUA para para fazer um filme Groovy (Fumar umas e tal...), mas rapidamante se viu confrontado com uma mudança inesperada. Afinal a película seria de Terror (Estou assustado, vou apanhar quatro anos). Ao fim de alguns dias e por falta de orçamento, passou a Melodrama (Por favor, alguém me tire daqui! O governo não faz nada por mim). O mais surpreendente é que voltou para casa com um filme sobre Mafiosos (Cometi crime, mas não fiquei preso...).
Obrigado Ivo pela curta metragem, uma autêntica obra prima no panorama cinematográfico português.
segunda-feira, 9 de maio de 2005
Amor de Mãe
Sou filho de um veterano da guerra colonial mas não tenho a frase tatuada no braço. Aliás, é com alguma resistência que escrevo o que se segue, receio expor-me demasiado. Eu e a minha mãe temos feitios muito iguais, ou seja, temos uma tendência natural para andar às turras. E a verdade é que, regra geral, assim é. Mas, ao se lembrar o dia das Mães (países protestantes, é no 2º domingo) a frase em epígrafe assume carácter dogmático. À minha mãe devo, para além de uma grande capacidade para argumentar, a formação do meu carácter e o incutir de valores que hoje prezo e estabeleço como norteadores para a minha família. A ela devo a fé no Deus verdadeiro. A ela devo a preocupação com a minha educação e oportunidades de expandir os meus horizontes. Nunca foi de grandes mimos é verdade, de me fazer pequenos almoços ou me andar sempre a paparicar. Mas ensinou-me a ser independente, a passar a ferro, a cozinhar, a lavar roupa, a não ter medo de apanhar o autocarro com seis anos de idade! O amor de mãe manifesta-se, por vezes, em formatos menos ortodoxos mas igualmente válidos. O amor de mãe tem razões que os filhos quase sempre desconhecem.
Sou filho de um veterano da guerra colonial mas não tenho a frase tatuada no braço. Aliás, é com alguma resistência que escrevo o que se segue, receio expor-me demasiado. Eu e a minha mãe temos feitios muito iguais, ou seja, temos uma tendência natural para andar às turras. E a verdade é que, regra geral, assim é. Mas, ao se lembrar o dia das Mães (países protestantes, é no 2º domingo) a frase em epígrafe assume carácter dogmático. À minha mãe devo, para além de uma grande capacidade para argumentar, a formação do meu carácter e o incutir de valores que hoje prezo e estabeleço como norteadores para a minha família. A ela devo a fé no Deus verdadeiro. A ela devo a preocupação com a minha educação e oportunidades de expandir os meus horizontes. Nunca foi de grandes mimos é verdade, de me fazer pequenos almoços ou me andar sempre a paparicar. Mas ensinou-me a ser independente, a passar a ferro, a cozinhar, a lavar roupa, a não ter medo de apanhar o autocarro com seis anos de idade! O amor de mãe manifesta-se, por vezes, em formatos menos ortodoxos mas igualmente válidos. O amor de mãe tem razões que os filhos quase sempre desconhecem.
domingo, 8 de maio de 2005
1 ano há trinta anos.
A minha sobrinha teve ontem a sua primeira festa de aniversário. Os pais babados e com razão, a família e amigos intímos reunidos à volta da mesa. Foi então que me lembrei do relato da minha mãe sobre a minha primeira festa de aniversário. Segundo ela, o 03 de Junho de 75 foi um dia de intensos combates em Luanda, a cidade onde morávamos. Rajadas de metralhadora e tiros de morteiro ecoavam por toda a cidade.
O que me espanta é que, até hoje, ainda não consegui perceber como é que toda a gente tinha aquele ar sorridente e alegre nas fotos, como se nada se passasse. Exactamente como ontem. Provavelmente a celebração da vida torna-se um dado muito importante quando se está rodeado de morte...
Parabéns Maria.
A minha sobrinha teve ontem a sua primeira festa de aniversário. Os pais babados e com razão, a família e amigos intímos reunidos à volta da mesa. Foi então que me lembrei do relato da minha mãe sobre a minha primeira festa de aniversário. Segundo ela, o 03 de Junho de 75 foi um dia de intensos combates em Luanda, a cidade onde morávamos. Rajadas de metralhadora e tiros de morteiro ecoavam por toda a cidade.
O que me espanta é que, até hoje, ainda não consegui perceber como é que toda a gente tinha aquele ar sorridente e alegre nas fotos, como se nada se passasse. Exactamente como ontem. Provavelmente a celebração da vida torna-se um dado muito importante quando se está rodeado de morte...
Parabéns Maria.
sábado, 7 de maio de 2005
Estou chocado
Morreu um grande angolano. Jorge Perestrelo, colega de escola do meu tio, deixou orfãos todos os que amam o futebol e o relato radiofónico. Xiça! Foi o melhor de todos e a sua singularidade ficará marcada para sempre. A vida deu-lhe uma revianga, mas a sua voz ficará para sempre lembrada como uma muamba com jindungo. Até sempre Jorge.
Morreu um grande angolano. Jorge Perestrelo, colega de escola do meu tio, deixou orfãos todos os que amam o futebol e o relato radiofónico. Xiça! Foi o melhor de todos e a sua singularidade ficará marcada para sempre. A vida deu-lhe uma revianga, mas a sua voz ficará para sempre lembrada como uma muamba com jindungo. Até sempre Jorge.
quinta-feira, 5 de maio de 2005
Liverpool na Final da CL
Comecei a gostar de futebol muito novo, nos inícios da década de oitenta. Nessa altura o Liverpool estava no pico da sua glória futebolística. Há poucos clubes como o Liverpool, com tanta mística e glamour. Talvez por essa razão eu não estivesse com tanta vontade que o Chelsea passasse à final. Falta-lhe historial. Milan vs Liverpool é uma daquelas finais imperdíveis de fim de Maio, com muito calor, uns caracóis com torradas e uma cervejita a acompanhar. O som das claques a cantar e um relvado impecável levam o futebol para os limites da perfeição. Mal posso esperar...e já agora que ganhe o Liverpool ( you'll never walk alone...).
Comecei a gostar de futebol muito novo, nos inícios da década de oitenta. Nessa altura o Liverpool estava no pico da sua glória futebolística. Há poucos clubes como o Liverpool, com tanta mística e glamour. Talvez por essa razão eu não estivesse com tanta vontade que o Chelsea passasse à final. Falta-lhe historial. Milan vs Liverpool é uma daquelas finais imperdíveis de fim de Maio, com muito calor, uns caracóis com torradas e uma cervejita a acompanhar. O som das claques a cantar e um relvado impecável levam o futebol para os limites da perfeição. Mal posso esperar...e já agora que ganhe o Liverpool ( you'll never walk alone...).
Recuperação
O apelo que deixei no post anterior era necessário, extraordinário e urgente. O Steven já recuperou os sentidos e foi o primeiro menino do grupo que está no Amadora-Sintra a quem foram retiradas as tubagens de suporte vital. Ele está bem e ficará sem sequelas, pelo menos é essa a opinião dos médicos. Obrigado a todos que intercederam por ele. Este post é a resposta às vossas orações.
O apelo que deixei no post anterior era necessário, extraordinário e urgente. O Steven já recuperou os sentidos e foi o primeiro menino do grupo que está no Amadora-Sintra a quem foram retiradas as tubagens de suporte vital. Ele está bem e ficará sem sequelas, pelo menos é essa a opinião dos médicos. Obrigado a todos que intercederam por ele. Este post é a resposta às vossas orações.
terça-feira, 3 de maio de 2005
O dia mais longo
Um grande amigo, que muito respeito, admiro e amo, vive hoje o dia mais longo da sua vida. Nas próximas 24 horas ele saberá se o seu pequeno neto de doze anos vai sobreviver, ou não, a um forte ataque de meningite.
É escusado dizer que são momentos que grande angústia e sofrimento que não podem ser sublimados assim do pé para a mão. São dias assim que ninguém quer viver. É em tempos como este que se vê com que fibra um homem é feito. Não tenho tenho a menor réstia de dúvida de que ele sairá vencedor, não por ele, mas pela fé que ele deposita em Deus. Desculpem-me a frontalidade, mas é assim mesmo. Nestas alturas não há cá teorizações da treta: Ou se é cristão de verdade ou não passa tudo de uma grande treta. Ou se exercita a fé no Criador ou se confia na intuição. Ele saberá, melhor do que ninguém, em qual das duas confiar, independentemente do resultado final. Tenho uma grande dívida para com este homem: Ensinou-me com a sua vida, a viver a verdadeira vida. O meu coração aperta, aperta, aperta. Nada mais resta senão fazer o mesmo: Confiar no Criador. Lembro, agora, com clareza, o momento em que o Salmo 23 se abriu no meu entendimento por seu intermédio. "ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, Tu estás comigo...". Que o dia mais longo passe depressa.
Um grande amigo, que muito respeito, admiro e amo, vive hoje o dia mais longo da sua vida. Nas próximas 24 horas ele saberá se o seu pequeno neto de doze anos vai sobreviver, ou não, a um forte ataque de meningite.
É escusado dizer que são momentos que grande angústia e sofrimento que não podem ser sublimados assim do pé para a mão. São dias assim que ninguém quer viver. É em tempos como este que se vê com que fibra um homem é feito. Não tenho tenho a menor réstia de dúvida de que ele sairá vencedor, não por ele, mas pela fé que ele deposita em Deus. Desculpem-me a frontalidade, mas é assim mesmo. Nestas alturas não há cá teorizações da treta: Ou se é cristão de verdade ou não passa tudo de uma grande treta. Ou se exercita a fé no Criador ou se confia na intuição. Ele saberá, melhor do que ninguém, em qual das duas confiar, independentemente do resultado final. Tenho uma grande dívida para com este homem: Ensinou-me com a sua vida, a viver a verdadeira vida. O meu coração aperta, aperta, aperta. Nada mais resta senão fazer o mesmo: Confiar no Criador. Lembro, agora, com clareza, o momento em que o Salmo 23 se abriu no meu entendimento por seu intermédio. "ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, Tu estás comigo...". Que o dia mais longo passe depressa.
segunda-feira, 2 de maio de 2005
Calcanhar de Aquíles
No processo de reconstrução da casa onde vivo fiz questão de me assegurar que esta era "à prova de bichos". Esforcei-me para isolar todos os locais de potenciais invasões dos insectos, coisa normal quando se vive no campo. A verdade é que nesta semana que passou a minha casa já sofreu dois ataques de formigas, vindas de trás do armário da cozinha e também diversas visitas daqueles bichos que aprendi a chamar de "corta-unhas" e que entraram sabe-se lá por onde. Fica constatação: Todas as fortalezas têm o seu calcanhar de Aquíles, aquele ponto fraco, muitas vezes não perceptível, por onde entram os inímigos. Como homem, reconheço que também sou feito de pontos fracos e vulneráveis e que, por muito que me esforce, não os consigo fazer desaparecer a todos.
No processo de reconstrução da casa onde vivo fiz questão de me assegurar que esta era "à prova de bichos". Esforcei-me para isolar todos os locais de potenciais invasões dos insectos, coisa normal quando se vive no campo. A verdade é que nesta semana que passou a minha casa já sofreu dois ataques de formigas, vindas de trás do armário da cozinha e também diversas visitas daqueles bichos que aprendi a chamar de "corta-unhas" e que entraram sabe-se lá por onde. Fica constatação: Todas as fortalezas têm o seu calcanhar de Aquíles, aquele ponto fraco, muitas vezes não perceptível, por onde entram os inímigos. Como homem, reconheço que também sou feito de pontos fracos e vulneráveis e que, por muito que me esforce, não os consigo fazer desaparecer a todos.
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