Megalómano TGV
A discussão faz parte da agenda política nacional. É um investimento financeiro massivo num país à beira da banca rota. Será que se justifica?
Bem, talvez importe analisar a razão da existência no TVG na própria França, onde foi inventado. Quem pegue num mapa desse país rapidamente se apercebe da sua distribuição territorial, ou seja, que os grandes núcleos metropolitanos estão bastante afastados entre si e o resto é praticamente paisagem e pequenos núcleos urbanos. Ora, o TGV foi criado exactamente para poder percorrer as grandes distâncias (+ de 500 km) em pouco tempo rivalizando com o transporte aéreo. É também por essa razão que tem poucas paragens ao longo do seu percurso.
Mas passemos ao TGV português. Temos apenas 2 grandes núcleos que estão separados por cerca 300 km. Nesse percurso ridículo ( pensando em TGV) querem fazer duas paragens: Coimbra e Aveiro. Por outro lado, na vertente internacional, tanto Lisboa-Badajoz como Porto-Vigo distam entre si cerca de 200km. Questão: Onde cabe o TGV?
Não era mais barato uma linha mais simples nesses dois percursos utilizando o actual e também rápido "Pendolino" usado nos "Alfa Pendular"? A diferença de 10 min não faria assim tanto prejuízo, e quem tem dinheiro para ir passear pela Europa podia aproveitar o investimento dos espanhóis. Pelo menos uma vez sejamos racionais. Tenho dito!
quarta-feira, 27 de julho de 2005
terça-feira, 19 de julho de 2005
Sou Mestiço
Passei grande parte da Primária aos pontapés ao meu colega Marco que insistia em chamar-me preto em tom jocoso, sempre que o dia lhe corria mal. Chegou mesmo a valer-me dois meses de castigo no refeitório durante os intervalos! Hoje, passados mais de vinte anos lembro-me que o fazia por orgulho e não por vergonha. Apesar disso, durante muito tempo acreditei que os mestiços ficavam a perder por não serem próprios nem de A nem de B. Mas estava errado e o passar dos anos isso ensinou-me umas verdades. Não há maior riqueza do que estar um dia sentado à mesa a falar sobre a aldeia dos avós na Beira Alta e no outro estar a divagar sobre o Lubango e a Huíla. Não há nada melhor do que poder saborear um bom cozido e disfrutar um bom feijão de óleo de palma com banana e farinha de pau. Não há nada mais vibrante do que sentir o arrepio do fado e o pulsar do ritmo africano. Não há nada mais profundo do que beijar a pele da mãe mulata e do pai branco.
Sou mestiço, crioulo, melangê, cabrito, mulato, misturado, e rico, muito rico.
Passei grande parte da Primária aos pontapés ao meu colega Marco que insistia em chamar-me preto em tom jocoso, sempre que o dia lhe corria mal. Chegou mesmo a valer-me dois meses de castigo no refeitório durante os intervalos! Hoje, passados mais de vinte anos lembro-me que o fazia por orgulho e não por vergonha. Apesar disso, durante muito tempo acreditei que os mestiços ficavam a perder por não serem próprios nem de A nem de B. Mas estava errado e o passar dos anos isso ensinou-me umas verdades. Não há maior riqueza do que estar um dia sentado à mesa a falar sobre a aldeia dos avós na Beira Alta e no outro estar a divagar sobre o Lubango e a Huíla. Não há nada melhor do que poder saborear um bom cozido e disfrutar um bom feijão de óleo de palma com banana e farinha de pau. Não há nada mais vibrante do que sentir o arrepio do fado e o pulsar do ritmo africano. Não há nada mais profundo do que beijar a pele da mãe mulata e do pai branco.
Sou mestiço, crioulo, melangê, cabrito, mulato, misturado, e rico, muito rico.
Faz de conta que hoje estamos a 14 de Julho
Let me say this to you
I'll be steadfast and true
And my love will never falter
The sea would crash about us
The waves would lash about us
I'll be your Rock of Gibraltar
Sometimes it's hard
And we're both caught off guard
But there's nothing I would ever alter
The wind could howl round our ears
For the next thousand years
I'd still be your Rock of Gibraltar
The best thing I done
Was to make you the one
Who I'd walk with down to the altar
You'd stand by me
And together we'd be
That great, steady Rock of Gibraltar
Under the big yellow moon
On our honeymoon
I took you on a trip to Malta
And all through the night
You held me so tight
Your great, steady Rock of Gibraltar
Rock of Gibraltar, Nocturama
Nick Cave
Let me say this to you
I'll be steadfast and true
And my love will never falter
The sea would crash about us
The waves would lash about us
I'll be your Rock of Gibraltar
Sometimes it's hard
And we're both caught off guard
But there's nothing I would ever alter
The wind could howl round our ears
For the next thousand years
I'd still be your Rock of Gibraltar
The best thing I done
Was to make you the one
Who I'd walk with down to the altar
You'd stand by me
And together we'd be
That great, steady Rock of Gibraltar
Under the big yellow moon
On our honeymoon
I took you on a trip to Malta
And all through the night
You held me so tight
Your great, steady Rock of Gibraltar
Rock of Gibraltar, Nocturama
Nick Cave
A Ditadura da Tolerância
Desde o início que concebo a Blogosfera como um espaço livre e aberto, onde o pensamento não é, de forma alguma, censurável. Aliás, o contrário seria impensável, até pela própria natureza que lhe é subjacente. Por essa razão estranho a forma, quase visceral , com que algumas pessoas se apressam a atacar, dentro deste espaço, todos aqueles que expressem uma opinião contrária à da maioria politicamente correcta em temas quentes como o aborto e a homossexualidade, entre outros. É, de facto, a ditadura dos tolerantes que pretendem asfixiar quem os contraria. Isto porque, no minímo, quem tem valores definidos e contra a corrente incomoda, como os mosquitos em noite de Verão.
Mas avancemos. A minha posição em relação ao aborto é clara e simples: A vida é o valor absoluto que se sobrepõe a todos os outros. Penso que todos temos esse direito independentemente de raça, religião, sexo, ou postura sobre a vida. Também acredito num princípio lógico muito simples. Ninguém chega a ter oitenta anos de idade, se não tiver sido antes um pequeno embrião ou, apenas, o somatório de um espermatozóide com um óvulo. Digo isto não de mim mesmo, mas fundamentado nos princípios que me regem. Alguém que me criticou dizendo que a religião cega as pessoas, que Cristo faria assim e assado mas erra ao não conhecer, por exemplo, o conteúdo do Salmo 139: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio da minha mãe...os teus olhos me viram substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda...".
Aliás, bem vistas as coisas, a verdadeira prisão e cegueira está em aceitar as ideias de um qualquer propagandista à caça de votos. Quando critico a Esquerda faço-o não necessariamente por ser de direita mas porque percebo o vazio e a incongruência da maioria das suas propostas. Também já percebi que, mais cedo ou mais tarde, as coisas irão por esse e por outros caminhos, mas cá estaremos para a prova dos nove.
Mais, o mundo não verá os seus males curados por evitarmos que as crianças mal amadas e abandonadas e indesejadas venham ao mundo. Essas, sempre as teremos e quantas não estarão em famílias que temos por felizes? E o que fazer aos adultos mal amados, abandonados e indesejados? É a Esquerda que distribui sopa aos pobres às tantas de madrugada?
Não posso deixar de notar que os defensores destas teorias acham sempre que os pensam de forma diversa são uns teóricos e demagogos e que nunca nos vamos poder colocar no lugar dos desgraçados. Mas que sabem do nosso passado? Das lutas dos nossos pais? Dos bairros em que vivemos e das coisas que vimos? Se calhar é precisamente o contrário. Sei o que é pobreza, sei o que é a dureza da vida e nem por isso vi mães matarem filhos por causa disso, pelo contrário.
O aborto é um problema das Sociedades Ocidentais, não dos países pobres. Olhem para Portugal há cinquenta anos atrás e contem os irmãos dos vossos avós!
Muito mais há para dizer e escrever, mas sublinho o facto de que ter convicções contra a corrente não implica ser obtuso. Esse juízo é débil demais para vingar! Ah! Escrevo como escrevo, porque um dia alguém sugeriu há minha mãe que ela abortasse de mim... terei suficiente propriedade?
Desde o início que concebo a Blogosfera como um espaço livre e aberto, onde o pensamento não é, de forma alguma, censurável. Aliás, o contrário seria impensável, até pela própria natureza que lhe é subjacente. Por essa razão estranho a forma, quase visceral , com que algumas pessoas se apressam a atacar, dentro deste espaço, todos aqueles que expressem uma opinião contrária à da maioria politicamente correcta em temas quentes como o aborto e a homossexualidade, entre outros. É, de facto, a ditadura dos tolerantes que pretendem asfixiar quem os contraria. Isto porque, no minímo, quem tem valores definidos e contra a corrente incomoda, como os mosquitos em noite de Verão.
Mas avancemos. A minha posição em relação ao aborto é clara e simples: A vida é o valor absoluto que se sobrepõe a todos os outros. Penso que todos temos esse direito independentemente de raça, religião, sexo, ou postura sobre a vida. Também acredito num princípio lógico muito simples. Ninguém chega a ter oitenta anos de idade, se não tiver sido antes um pequeno embrião ou, apenas, o somatório de um espermatozóide com um óvulo. Digo isto não de mim mesmo, mas fundamentado nos princípios que me regem. Alguém que me criticou dizendo que a religião cega as pessoas, que Cristo faria assim e assado mas erra ao não conhecer, por exemplo, o conteúdo do Salmo 139: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio da minha mãe...os teus olhos me viram substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda...".
Aliás, bem vistas as coisas, a verdadeira prisão e cegueira está em aceitar as ideias de um qualquer propagandista à caça de votos. Quando critico a Esquerda faço-o não necessariamente por ser de direita mas porque percebo o vazio e a incongruência da maioria das suas propostas. Também já percebi que, mais cedo ou mais tarde, as coisas irão por esse e por outros caminhos, mas cá estaremos para a prova dos nove.
Mais, o mundo não verá os seus males curados por evitarmos que as crianças mal amadas e abandonadas e indesejadas venham ao mundo. Essas, sempre as teremos e quantas não estarão em famílias que temos por felizes? E o que fazer aos adultos mal amados, abandonados e indesejados? É a Esquerda que distribui sopa aos pobres às tantas de madrugada?
Não posso deixar de notar que os defensores destas teorias acham sempre que os pensam de forma diversa são uns teóricos e demagogos e que nunca nos vamos poder colocar no lugar dos desgraçados. Mas que sabem do nosso passado? Das lutas dos nossos pais? Dos bairros em que vivemos e das coisas que vimos? Se calhar é precisamente o contrário. Sei o que é pobreza, sei o que é a dureza da vida e nem por isso vi mães matarem filhos por causa disso, pelo contrário.
O aborto é um problema das Sociedades Ocidentais, não dos países pobres. Olhem para Portugal há cinquenta anos atrás e contem os irmãos dos vossos avós!
Muito mais há para dizer e escrever, mas sublinho o facto de que ter convicções contra a corrente não implica ser obtuso. Esse juízo é débil demais para vingar! Ah! Escrevo como escrevo, porque um dia alguém sugeriu há minha mãe que ela abortasse de mim... terei suficiente propriedade?
quarta-feira, 6 de julho de 2005
Então e as crianças?
Já me enjoa a conversa da Esquerda sobre os direitos das mulheres quando se trata de questões que envolvem o aborto. O imperativo propagandístico tolda o entendimento dos arautos esquerdistas. A mulher isto, a mulher aquilo, perseguição isto, cabala aquilo, progresso pra aqui, tacanhos para ali. Mas, então, e as crianças? Quem as defende? Quem fala por elas? Pois é, coitadas, não votam! Não entram nas estatísticas, mas são gente! E com fibra! Apetecia-me pegar nos Louçãs e nas Odetes deste país e obrigá-los a entrar pelos Cuidados Intensivos da MAC para verem que bébés com 24 semanas e 500 grs são gente viva, total, que olha para nós e que nos segura no dedo, que come, dorme e chora e que tem tanto direito a viver como as mulheres de que se fala. O 25 Abril também é para eles. Se esses senhores fossem Esquerda a sério, estavam era comprometidos em assegurar que cada criança que é concebida terá, do Estado, o indispensável para sobreviver, e não a desculpa perfeita para morrer!
Já me enjoa a conversa da Esquerda sobre os direitos das mulheres quando se trata de questões que envolvem o aborto. O imperativo propagandístico tolda o entendimento dos arautos esquerdistas. A mulher isto, a mulher aquilo, perseguição isto, cabala aquilo, progresso pra aqui, tacanhos para ali. Mas, então, e as crianças? Quem as defende? Quem fala por elas? Pois é, coitadas, não votam! Não entram nas estatísticas, mas são gente! E com fibra! Apetecia-me pegar nos Louçãs e nas Odetes deste país e obrigá-los a entrar pelos Cuidados Intensivos da MAC para verem que bébés com 24 semanas e 500 grs são gente viva, total, que olha para nós e que nos segura no dedo, que come, dorme e chora e que tem tanto direito a viver como as mulheres de que se fala. O 25 Abril também é para eles. Se esses senhores fossem Esquerda a sério, estavam era comprometidos em assegurar que cada criança que é concebida terá, do Estado, o indispensável para sobreviver, e não a desculpa perfeita para morrer!
Rosário, a Mãe Coragem
Quem olha para ela cedo se apercebe que algo não vai bem. As olheiras escuras cavam-lhe a órbita ocular, o semblante está descaído e as poucas palavras que profere mal se conseguem ouvir. Está ali à mais de dois meses, por causa do pequeno M., o seu terceiro filho. A sina repete-se, uma vez que os outros dois também nasceram prematuros. A diferença está no facto de que o M. nasceu com uma série de complicações que já obrigaram a duas operações e a muito sofrimento. Rosário e o marido conhecem o hospital e as suas rotinas de cor e salteado, mas isso não impede o sofrimento, pelo contrário, já aprenderam a ler os códigos dos médicos e enfermeiros antecipando as más notícias.
A Rosário é uma mãe de coragem. Levanta-se cedo para abrir o café que explora na Margem Sul, e a meio da tarde arranca para passar o resto do dia com o petiz. Diz o marido que entre gasolina, portagens e alimentação o estrago já vai "para lá de duzentos e tal contos". Mas essas coisas são de pouca monta quando se pensa que o nosso filho está "prá li" deitado numa encubadora a chorar de dor horas a fio.
A Rosário desfaz-se muita vezes em lágrimas e refugia-se nos corredores desertos da MAC para alíviar a dor, mas a verdade é que já granjeou o respeito e a admiração de todos que se cruzam com ela. Se não fosse por ela, esta semana tinha sido um autêntico pesadelo.
Quem olha para ela cedo se apercebe que algo não vai bem. As olheiras escuras cavam-lhe a órbita ocular, o semblante está descaído e as poucas palavras que profere mal se conseguem ouvir. Está ali à mais de dois meses, por causa do pequeno M., o seu terceiro filho. A sina repete-se, uma vez que os outros dois também nasceram prematuros. A diferença está no facto de que o M. nasceu com uma série de complicações que já obrigaram a duas operações e a muito sofrimento. Rosário e o marido conhecem o hospital e as suas rotinas de cor e salteado, mas isso não impede o sofrimento, pelo contrário, já aprenderam a ler os códigos dos médicos e enfermeiros antecipando as más notícias.
A Rosário é uma mãe de coragem. Levanta-se cedo para abrir o café que explora na Margem Sul, e a meio da tarde arranca para passar o resto do dia com o petiz. Diz o marido que entre gasolina, portagens e alimentação o estrago já vai "para lá de duzentos e tal contos". Mas essas coisas são de pouca monta quando se pensa que o nosso filho está "prá li" deitado numa encubadora a chorar de dor horas a fio.
A Rosário desfaz-se muita vezes em lágrimas e refugia-se nos corredores desertos da MAC para alíviar a dor, mas a verdade é que já granjeou o respeito e a admiração de todos que se cruzam com ela. Se não fosse por ela, esta semana tinha sido um autêntico pesadelo.
terça-feira, 5 de julho de 2005
Mudança temporária de Residência
Durante os próximos dias a nossa residência é na MAC, primeiro andar, Unidade de Cuidados Intermédios ao Recém Nascido.
Daí que a nossa actividade blogosférica (minha e da Sara) se reduza a esporádicos posts, na medida em que o cansaço o permitir. Esperamos voltar ao normal na próxima semana.
Para os que nos seguem habitualmente, a Joana está estupenda e os valores da infecção quase negativos. A Ictericia já passou à história. Esperamos apenas o cumprimento do tratamento por antibiótico (minímo dez dias), para a trazer para casa.
Mais uma vez, queremos agradecer imensamente as mensagens de carinho e cuidado para com a nossa filha. Acreditem que nos tem feito muito bem! Como diria o António Sala, «a todos um grande bem-haja».
Durante os próximos dias a nossa residência é na MAC, primeiro andar, Unidade de Cuidados Intermédios ao Recém Nascido.
Daí que a nossa actividade blogosférica (minha e da Sara) se reduza a esporádicos posts, na medida em que o cansaço o permitir. Esperamos voltar ao normal na próxima semana.
Para os que nos seguem habitualmente, a Joana está estupenda e os valores da infecção quase negativos. A Ictericia já passou à história. Esperamos apenas o cumprimento do tratamento por antibiótico (minímo dez dias), para a trazer para casa.
Mais uma vez, queremos agradecer imensamente as mensagens de carinho e cuidado para com a nossa filha. Acreditem que nos tem feito muito bem! Como diria o António Sala, «a todos um grande bem-haja».
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