A essênciaUm dos comentários ao meu post "mete jindungo nisso" faz questão de mencionar que eu não vivi mais de um ano em Angola. O mais desprevenido dos leitores pode ser levado a crer que, realmente, faço a defesa de teses que me são estranhas, que falo artificialmente. Isso seria, no minímo, um grande equívoco. Digo isto porque é preciso distinguir a essência da forma. Trocando por míudos... de facto, eu não vivi mais de um ano em Angola, é verdade, mas passei 26 anos da minha vida num bairro cheio de gente vinda de Angola e numa família completamente enraízada na cultura angolana, resumindo: a respirar Angola. Ora, daqui se pode inferir que a questão física é apenas um pormenor na grande fotografia. A minha essência é angolana, a minha postura é angolana, o meu sotaque é angolano, a minha cor é mulata. Existe muita gente, por exemplo, que viveu alguns anos em Angola, mas que não tem a essência, nem sequer o sangue angolano, esses ficam-se apenas pela forma. A essência não se compra, não se inventa, não se empresta. Está lá e pronto!
Aliás, pensando bem, se não tivesse essência aquele post nunca tinha sido escrito. Poucos ou nenhuns escreveram algo semelhante na blogosfera.