terça-feira, 31 de outubro de 2006

Lembrete aos Martinho Lutero - dependentes.

Martinho iniciou a Reforma, mas não a terminou, longe disso.
Referenciais

O que para mim é uma simples deslocação a Lisboa (80km), para algumas pessoas já se enquandra na categoria de «viagem». Sou um tipo muito viajado.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Grandes portugueses

Não votei em nenhuma das personalidades escolhidas pela RTP, nem tão pouco em João Ferreira de Almeida, primeiro tradutor da Bíblia, adoptado pela comunidade evangélica como primeira escolha.
Correndo o risco de parecer redutor, sem cultura e ignorante apetece-me sugerir que o maior português é o cidadão anónimo que tenta levar a sua vida em frente num país repleto de obstáculos de toda espécie, essas pessoas que suportam horas a fio em transportes públicos, que são mal pagas (imagine-se a ganhar 380 euros), que gastam fortunas em infantários, que a meio do mês começam a fazer contas para esticar o ordenado, que vivem em subúrbios a vida toda, que se esfalfam a executar tarefas que tornam outros "grandes".
Aliás, pensando bem, qual é a premissa básica para definir grandeza? O que pode ser considerado um "great achievement"?
Não se queixem

lembrem-se que ainda há muito pouco tempo agonizávamos com a realidade da seca extrema. Bendita chuva!

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Quiz

Tendo já discutido extensivamente a questão do aborto neste blog, e percebendo que não há muito mais a fazer nesse plano, resumo o meu argumento a uma simples pergunta que gostaria de ver respondida pelos adeptos do «sim», deixando as violações, as mal-formações e eteceteras à parte.

"Afinal, a partir de que preciso momento é que alguém (mesmo um embrião) pode ser considerado um ser humano?"

A resposta simples, a ser encontrada, deve resolver imediatamente a questão.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Brutal*



*descoberta de Angelo Silva.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Um grande Evento



a que, infelizmente, não pude assistir, mas que deixo registado. Bem pensado, bem executado, bem abençoado. Ponham os olhos nesta comunidade!
Um agradecimento sincero

aos amigos de verdade. Aos que não cobram, que não se aproveitam, que não julgam, que não competem. E são tão poucos.
Revoltante

Creio que a reportagem que a SIC transmitiu ontem sobre os hospitais na Guiné-Bissau não deixou ninguém indiferente. Ou deixou? Confesso que é com crescente dificuldade que me aguento no sofá ao assistir a imagens que se estão a tornar cada vez mais em clichês sociológicos, e que por isso já não despertam emoções e questões a quem a elas assiste. O senso de incapacidade para reverter a realidade e a apatia indiferente dos que têm meios e poder para alterar as coisas cria em mim um sentimento de revolta que me custa digerir.
É verdade que os poderosos do mundo estão muito ocupados a sugar o que resta das reservas petróleo alheias, a perseguir bichos-papões por eles criados e a brincar aos governos. Mas, xiça, custará assim tanto mandar construir UM hospital com o minímo de condições? Custará assim tanto fazer um pouco de justiça social?
Há alturas em que só me apetece vomitar este mundo em que vivemos!

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Truz, truz.



O grande resultado da supostamente elaborada teologia liberal do Séx XIX foi este: Na tentativa de retirar o incómodo elemento sobrenatural - para alguns mitológico - das Escrituras abriram o caminho para que alguns pensadores, como Nietzche, considerassem Deus morto por falta de provas irrefutáveis da sua existência. De facto, a necessidade de diminuir o poder de Deus ou até mesmo varrê-lo do mapa tem sido uma constante na história da humanidade. É muito mais confortável viver e agir como se Ele não estivesse presente com os seus olhos penetrantes, filtrando as acções e exercendo juízo. Um Deus que não age de forma sobrenatural é um Deus que não pode incomodar, logo, está morto. Os próprios israelitas a determinada altura, perdidos de amores pelos deuses pagãos e pela excessiva, diria mesmo total, licensiosidade que estes agradavelmente permitiam, entraram neste jogo e depressa colocaram YWHW (Jeová) a um canto. Para trás ficava o Êxodo, a entrada triunfal em Jericó, os dias gloriosos com David e Salomão, o cuidado permanente de Deus e a protecção dos inimigos. "Who cares?" pensaram. O mais importante era o prazer momentâneo. Mas Deus, que tem um forte sentido de oportunidade surge lá do canto e diz:«De um momento para o outro acabam-se os vossos devaneios» (Amós 6:7). A estultícia humana vai até onde Deus permite, ponto final. Nunca saberemos quando o seu saco já está cheio. Nos dias que correm, céleres e dados ao prazer imediato, é preciso ter em conta que, inesperadamente, podemos ouvir um truz, truz. Cuidado, não vá o visitante apanhar-nos com as calças na mão.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Avô Zeca

Há dez anos atrás voltava eu de um dia muito bem passado na companhia de amigos, quando, à entrada do teu prédio, me disseram, a frio, que tinhas morrido. Senti pela primeira vez aquela vertigem agonizante que percorre todo o corpo, mas lágrimas não me sairam. Pensei na mãe, na avó, nos primos mais novos, e corri para dentro de casa a abraçá-los. O bairro em peso vestia o teu luto e confortava-nos, mas eu não chorava. No dia seguinte a igreja encheu-se de velhos amigos, de longe e de perto, tantos que te quiseram homenagear. Agradecemos a Deus pela tua vida e devolvemos-te ao pó. Mas eu não chorei. Fomos para a tua casa, para lanchar e descansar. Recordámos os teus melhores episódios. Havia torradas e chá como tu apreciavas. Mas eu não chorei. Foi preciso entrar no teu quarto vazio e perceber que não estavas mais lá para conversares comigo, para me jogares palavras difíceis em alemão, para me leres um poema, para me dares uma grande seca com as tuas cassetes de tango, para que eu me rendesse. Foi ali, deitado no teu leito de quinze anos de doença que chorei todas as lágrimas e me dei conta que um grande pedaço de mim tinha sido arrancado.
Já passaram dez anos! O que eu não daria agora para que pudesses conhecer a Sara e a Joana, a minha casa, de saberes que levo em mim tanto daquilo que eras. Tenho por consolo que a eternidade é tempo suficente para colocarmos a conversa em dia e para falarmos novamente sobre aquilo que mais te entusiasmava. Até lá!

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Há partes da doutrina e praxis evangélica (no geral) que não encontro na Bíblia

Por exemplo, alguém me diga onde está escrito que:

- O pastor deve usar fato e gravata.
- Somos Calvinistas ou Arminianos, por exclusão mútua.
- Temos que nos reunir em templos tipo basílica e não em casas.
- Temos que ter pregação "oficial" dada pelo pastor.
- Já não existem apóstolos e profetas.
- Os hinos do CC são a nata da doutrina. (Esse não é o papel da Bíblia?)
- O pastor é que administra a Ceia com a ajuda dos díaconos.
- As pessoas são eleitas para desempenhar cargos.(Não é suposto exercer dons?)
- As decisões são tomadas por maioria de votos.
- Os cultos têm que ter uma ordem previamente estabelecida.
- Os Cultos duram um certo tempo pré-determinado.
- As crianças têm um culto à parte.
- Jesus, os apóstolos e os judeus do Velho Testamento falavam línguas.
- O sofrimento é um empecilho à fé. Bem como outra qualquer necessidade material.
- Temos que queimar o fim-de-semana todo nas actividades da Igreja.
A Sofrer

de "Post Sopranos Stress." (ler em inglês)

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Quem não se sente não é filho de boa gente



já dizia o ditado. E eu ontem senti-me quando vi a reportagem da SIC sobre os bairros degradados, uma peça exibida em complemento da reportagem sobre o programa de reabilitação lançado ontem pelo Governo. Senti-me porque, mais uma vez, a SIC usou o já cansativo truque reles da manipulação de imagens para iludir o incauto telespectador. Este, que eventualmente nunca terá colocado os pés no Vale da Amoreira ficará a pensar que, lá todas as casas têm os vidros partidos, que falta luz à noite, que mal se pode andar nas ruas cheias de lixo e que a cada esquina espera-nos um escroque pronto a sacar o que temos na carteira e nos bolsos.
Estou sentido e penso que tenho autoridade para o fazer, afinal de contas sou fruto do Vale da Amoreira, lá, vivi 26 anos dos 32 que tenho. Estou sentido porque, não pretendendo fazer do Vale da Amoreira um lugar isento de deficiências e lacunas, sei que há lá mais gente de bem do que rufias, há mais amigos que estranhos, há mais sentido de comunidade do que isolamento, há mais árvores do que lixo no chão, há mais casas com apresentação do que casas com vidros partidos, há mais espaço para as crianças brincarem, há mais exposição do que camuflagem.
Estou sentido porque, bem vistas as coisas, bairros degradados há muitos mais do que os suspeitos do costume, dependendo do uso que fazemos do conceito degradado. Degrados em quê? no aspecto exterior? na moral? nos valores? na cidadania? nas oportunidades?
Que dirão acerca disso os moradores de certos bairros do centro de Lisboa, Porto ou Coimbra? Please...
Se há coisa que a SIC nunca fará, e já o tenta desde os famosos «Casos de Polícia», é tirar-me o orgulho de ser da Margem Sul, do Vale da Amoreira, dum simples T3 na Rua das Acácias. A dignidade não se esbate pelos rótulos que nos querem impôr.
Estarei a tornar-me tecnologicamente obsoleto?

Não tenho computador portátil.
Não tenho PDA.
Não tenho leitor de MP3.
Não tenho GPS no carro.
Não tenho telemóvel 3G.
Não tenho TV écran plano e cristais liquídos.
Não tenho Blue tooth.

Nota: Isto não é uma wishlist.

domingo, 1 de outubro de 2006

A frio

O ministério pastoral evangélico, na forma como existe hoje, está condenado a desaparecer no espaço de uma ou duas gerações. Tops!