quinta-feira, 31 de maio de 2007

Mesmo a propósito

Fui aceite nas aulas de Hebraico da Comunidade Israelita de Lisboa. Finalmente uma boa notícia esta semana.
Alguém se junta a mim em Setembro?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Da Exegese

Ao traduzir e interpretar um texto bíblico em Grego sinto algo do género: Isto faz sentido, tem lógica, tudo está no sítio certo, brilhante!
Já com o Hebraico é diferente: O coração começa a pulsar com mais intensidade, arrepios percorrem a pele e tudo em mim reverbera de alegria. Há uma sensação de totalidade que não se encontra noutro qualquer tipo de literatura.
Shalom!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Acerca das Tributações

A propósito de discussões anteriores neste blogue o William teceu um comentário sobre um dos princípios fundamentais dos Baptistas: a Separação entre Igreja e Estado. «...tremenda falta de responsabilidade, esta questão do IRS...», afirma com toda a convicção. Ele acha «incrível que não se consiga vislumbrar alguma coisa de bom numa lei que não venha impressa em papel de Bíblia.»

De facto, é um pouco complicado perceber o que eu afirmo, se o pensamento for elaborado dentro de uma lógica Igreja + Estado. O problema, meu caro William, é pensar que a Igreja é uma Instituição como outra qualquer, sujeita às leis humanas. Se assim for estás coberto de razão. Mas, os Pais Baptistas, biblicamente, viam Igreja como ela realmente é: um Organismo vivo, um Corpo. Logo, quem disse que a Igreja tem que possuir edifícios? Quem disse que a Igreja tem que ter funcionários remunerados? Quem disse que é forçoso existir o dízimo? Quem disse que a Igreja tem que ter uma face visível para o sociedade? Pensa na igreja dos Países onde existe perseguição. Essa lógica caí imediatamente. A Igreja «Oficial» não é uma condição absoluta, mas opcional.
É que a lógica da Igreja Instituição levou a que esta se submetesse ao Estado e, consequentemente, subordinasse os princípios doutrinários às leis desse mesmo Estado, por força das leis de liberdade religiosa, dos estatutos, regulamentos internos, etc.
Ora, é precisamente por causa daquilo que tu afirmas que temos hoje, na nossa praça, pastores levados a tribunal por membros de índole duvidosa, só porque aplicaram os princípios éticos e morais da Bíblia. Pastores que têm que justificar perante um tribunal que a Igreja de Cristo é soberana nas suas decisões.
Tens razão William, «ao Estado...não convém permitir que existam transferências de dinheiro ...não tributadas e declaradas...». A palavra chave aqui é Comprometimento. Ao Estado não convém muita coisa. Mas lembra-te, o Estado não é neutro nem idóneo e a qualquer momento pode "sufocar" a Fé. Não seria o primeiro nem o último.
Confuso? Talvez.

O Mundo em que vivemos é um só, porém com milhares de realidades diferentes e entre estas uma realidade última, absoluta e somente acessível por um processo de escolha apurado. Cada um de nós escolhe uma, ou mais, realidades das que estão disponíveis. Contudo, essa escolha pode passar ao lado da realidade última, isto é, com tanta oferta é difícil encontrar uma e apenas uma que seja a correcta. É que existem muitos percursos, mas só um Caminho. Há, portanto, que saber discernir.
Evidência

No próximo domingo completo 33 anos de vida. Quer isto dizer que estou pronto para a crucificação?

sexta-feira, 25 de maio de 2007

No Cristianismo

Ignorar a dimensão apocalíptica - O conflito cósmico entre Cristo e Satanás e as suas implicações presentes e futuras - é o mesmo que ir para a guerra e desconhecer de todo o inimigo. Apanha-se de todo o lado e nunca se percebe de onde vem o ataque.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Mudar ou Morrer.

A discussão dos últimos dias tem-me feito pensar sobre os tempos que vivemos. E uma coisa é certa: Estes são tempos de transição, instabilidade, renovação, inovação e de pluralidade. Durante os últimos cinquenta anos a Igreja Evangélica (em geral) manteve-se praticamente estática nas matérias que constituem o seu cerne, ou seja, teologia, eclesiologia e, sobretudo, missiologia. Mas a verdade é que o mundo, nos últimos 20 anos, tem sofrido profundas mudanças filosóficas, sociológicas e também religiosas, mudanças essas que a Igreja tem sentido tremendas dificuldades em lidar. E daí a razão da minha argumentação nos posts anteriores. Como é que a Igreja vai responder? Ou não precisa de responder? Responderá permanecendo estática e rígida como tem feito até agora? Ou será que é necessária uma mudança urgente que nos permita ser relevantes no presente?
Eu acredito que é necessária alguma ousadia para mudar, mas também sabedoria. É fundamental guardar os fundamentos da nossa fé, as verdades bíblicas, a essência da Igreja e a natureza da nossa missão. Disso não prescindo. Por outro lado, acredito que as nossas estruturas, a forma como comunicamos os princípios para dentro e para fora e, principalmente, a nossa forma de ver e fazer missão têm que mudar, sob pena de nos tornarmos perfeitamente arcaicos para quem nos observa de fora e para as novas gerações que emergem nas nossas comunidades. Senão acreditam no que vos digo, olhem para o caso de Londres, onde neste momento já existem mais islâmicos que Cristãos e as Igrejas Protestantes estão a ser vendidas para servirem de mesquitas e cafés. É Mudar ou Morrer!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Agora termino mesmo

Tiago, costuma-se dizer que quem coloca as perguntas controla a discussão e por isso compreendo a necessidade de veres as tuas respondidas. Lembro-te, contudo, que as minhas primeiras afirmações sobre as quais, habilmente extrapolaste, não são, de todo, novidade. Desde o Congresso Lausanne 74 que fazem parte do debate missiológico e eclesiológico em geral. Posso citar-te autores como David Bosch, Alan Hirsh, George Barna, Eddie Gibbs, Niebuhr, Brian McLaren, Wolfgang Simson, Robert Coleman, Lee Strobel entre muitos outros que têm estudado e reflectido sobre o estado actual do movimento evangélico e protestante. Nada que não seja falado, inclusive, em Congressos da Aliança Baptista Mundial, por exemplo. Os pontos não estão, certamente, para além de discussão e bastar-te-á uma observação desapaixonada da realidade nacional e da tua congregação para constatares essas realidades.
E, Tiago, creio que me julgas mal, se me enfias, despudoradamente, no saco do folclore evangélico que, por força da tua actividade profissional, conheces bem melhor do que eu. Sinceramente não creio estar na mó de cima, porque a minha comunidade não está estruturada para ser "seeker friendly". Por isso, não me revejo no restante da caracterização daqueles a que chamas os "sedentos" da blogosfera. Não podemos, contudo, negar que existe muita gente magoada, desiludida e profundamente vazia dentro das chamadas "igrejas tradicionais". Assim, e porque não me resta outra opção, digo-te no que acredito e falo da comunidade onde sirvo:
Na minha comunidade os dons são funcionais e não posicionais. Não confundimos a nossa função de líder com o estatuto que tantos parecem "apreciar" e almejar. Se sei qual é a minha função e as pessoas também, para quê para impor o estatuto? A minha autoridade vem do meu exemplo e das minhas convicções, não do que visto ou de onde falo quando ensino.
Não terá sido por isso que Paulo usou a ilustração do Corpo na Carta aos Coríntios? Por causa do estatuto tomar o lugar da função?
Assumo a minha liderança e sou exigente no ensino, no carácter e na ética. Somos dois líderes, ambos formados pelo Seminário Baptista. Temos mais um obreiro em formação na mesma Escola. O ensino não está aberto a qualquer um, pelo contrário, a exigência aumentou, e procuramos aplicar a nossa teologia, porque ela é, essencialmente, funcional. A noção que temos de "evangelizar a sério", é precisamente que a palavra "evangelizar" não existe, mas que cada cristão é "igreja" 24x7. A nossa vida é a nossa evangelização. Por isso abrimos as nossas casas durante a semana ao estudo da Palavra e também aos descrentes. As pessoas da nossa comunidade conhecem-nos no dia-a-dia e recorrem a nós. Os nossos cultos têm uma programação mínima, porque acreditamos que o Espírito Santo é quem o "dirige" e que estamos na casa de Deus para entregar e não para receber. A sinceridade do louvor é a que está no íntimo de cada um, logo não fazemos esse julgamentos nos outros, antes o exigimos de nós mesmos. E também não perdemos a reverência, pelo contrário, a certeza e a manifestação da presença do Espírito de Deus só aumenta o nosso temor e o nosso tremor. Damos ênfase à leitura das Escrituras, aos testemunhos, à oração individual e em grupo, e à intercessão .
Se calhar, estamos ambos a perder.
Abraço.

Só uma última nota: Existe a tendência para catalogar a Igreja Emergente como mais um modelo eclesiológico, mas no seu todo é muito mais do que isso. É um movimento complexo e não dirigido de Cristãos que, por todo o mundo, procuram um retorno da Igreja de Cristo à sua verdadeira essência, por outras palavras, a Igreja de Cristo como um agente da Missio Dei para transformação do Mundo. E dentro deste pensamento, qualquer modelo cabe, desde que seja essa a sua finalidade.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Alguém disse Fátima?

Sobre o ser Baptista

Desculpa Tiago, faltava só mais esta nota. Sim, eu continuo a ser baptista e mais convicto do que nunca. E acredito que os nossos pais denominacionais teriam um ataque cardíaco se vissem o estado a que chegou o nosso movimento. Senão atenta nos cinco princípios norteadores que pautaram o aparecimento do movimento e o estado actual das coisas:

1. Separação entre a Igreja e o Estado - Foi um dos principais motivos de separação do ramo Anglicano. Não pode existir qualquer vínculo entre ambos. Porém, hoje assistimos a várias ligações e compromissos entre as nossas Igrejas e o Estado, e principalmente pelo facto de querermos que os nossos pastores (empregados) usufruam de regalias sociais e que os nossos dízimos contem para o IRS. Aqui, um ponto a menos para os baptistas do presente.

2. Sacerdócio Universal dos Crentes - Os pais baptistas defendiam a igualdade no Corpo de Cristo, isto significando que não existe separação entre clero e leigos. Mas o que vemos hoje? A sacralização do púlpito, os "vocacionados", os "ministros da Palavra", os que a cada domingo se posicionam, "sacerdotalmente", entre as pessoas e Deus do alto dos seus "adorados" púlpitos. O pastor que "sabe" mais que os membros e por quem passam todas as decisões e orientações. E vão dois pontos a menos.

3. A autoridade exclusiva da Palavra - Aprendemos na nossa "catequese" que a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, mas não é isso que aplicamos no nosso quotidiano religioso. Importámos modelos e práticas dos americanos e brasileiros que seguimos cegamente por acharmos que aí reside a essência da nossa fé. Por exemplo: Dia do Pastor, Dia de Rumo à EBD, A Ceia do Senhor com pequeninos pedaços de pão e pequenos cálices de vinho numa "celebração mórbida" da vitória de Cristo sobre a morte, Dia da Mãe, Dia de Missões, Departamentos, Cargos e afins. E assim vamos três pontos a menos.

4. O baptismo de Adultos convertidos - Este é dos princípios nucleares do nosso movimento. Mas não hesitamos em baptizar crianças de sete ou oito anos. E fazemos cultos inteiros de consagração e dedicação dos nosso bebés não vá acontecer-lhes alguma coisa antes de poderem fazer essa decisão. Agostinho, por certo, haveria de nos elogiar. O que é feito da frase de Jesus "deixem vir a mim as crianças porque delas é o Reino"? E assim chegamos a menos quatro pontos.

5. Governo Congregacional - «Last but not least». Deriva dos 2º e 3º pontos. Isto não significa que as nossas decisões sejam tomadas por via de votações e reuniões deliberativas fastidiosas, com regras parlamentares e tudo. Mas que resultem de um esforço de diálogo, oração e consenso muito pouco visto nas nossas comunidades em geral. E aqui chegamos a cinco pontos.

Sou baptista sim, e sê-lo-ei sempre, porque tenho orgulho nos nossos pais e nos princípios que eles defenderam com as próprias vidas. Simplesmente, não os reconheço no movimento contemporâneo.
Deixo-te um pequeno excerto de primeira Confissão de Fé Baptista de 1646: «Mas se qualquer homem impuser sobre nós aquilo que não vemos ser mandado por nosso Senhor Jesus Cristo, preferimos morrer...mil mortes a fazer qualquer coisa...contra a luz da nossa consciência".

E tu ,Tiago, ainda és Baptista?
No hard feelings

Caro Tiago, o tom "aceso" do teu post não deixou de me surpreender. Não pela agressividade, que considero própria destas coisas, mas pela tua falta de argumentos em relação ao cerne desta discussão. Certamente, responderia que não a todas as perguntas que me fizeste. Não me revejo em nenhuma das interpretações que fazes das minhas frases. E, certamente, continuaria a querer discutir contigo sobre a natureza e a função do Corpo de Cristo, que era, no meu entender o cerne da nossa discussão. Mas, como já notei que esse não é o teu foco, dou por terminada aqui a nossa conversa, a não ser que tu argumentes contra aquilo que eu defendo que é a necessidade de fazermos discípulos e implementarmos o Reino de Deus. Abraço!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Suíça IV

Parece que o Tiago ficou com a impressão de que o último post aqui escrito aponta para o desejo recalcado uma teocracia. Sinceramente, não vejo onde isso possa estar implícito. De facto, tanto Lutero quanto Calvino e alguns anabaptistas tentaram introduzir, pela força, o conceito da "Cidade de Deus " de Agostinho - a sociedade perfeita - e fracassaram. E isto foi, de facto, algo incorrecto e disparatado como o Tiago bem sublinha. O que o Tiago não leu foi o que eu, realmente, disse sobre a Reforma. No meu entender, o fracasso da Reforma esteve na sua incapacidade de gerar um movimento genuíno de formação de discípulos, uma vez que a tradição católica de onde os reformadores saíram, arregimentava toda a população para as suas fileiras sem se preocupar com a necessidade de as pessoas (adultos) fazerem uma decisão consciente por Cristo. Foi precisamente por isto que tentaram impor o conceito pela força.
O que eu não percebo no comentário do Tiago é a sua aversão pela necessidade que eu advogo de se fazerem discípulos e da multiplicação exponencial destes. Como se aplica então o conceito de ser sal e luz? Não é o encontro com Cristo uma mudança na forma de ser e fazer sociedade? Não foi assim com a mulher samaritana? Com Zaqueu? Com Nicodemos?
Se o Cristianismo não existe para transformar a sociedade, os seus valores, então para que serve? E nós que nos orgulhamos tanto da ética protestante e do capitalismo.
Não recorro a outra fonte que não as Escrituras para justificar este argumento. Não foi esse o principal mandamento que recebemos de Cristo ( Mateus 28)? Não era essa a motivação de Paulo e que originou a famosa Carta aos Romanos? Não é por essa razão que Paulo exorta os Efésios? E por aí seguiríamos.
Talvez seja mesmo esse o nosso problema nos dias que correm. O nosso foco não é fazer discípulos. Não sabemos como fazer discípulos e fugimos do assunto quando ele vem à baila.
Pessoalmente, estou cansado de viver num ambiente de fé consumista, de discussão teológica abstracta, de adoração envergonhada, de eventos e programas humanistas, de mil desculpas para não cumprir a única ordem que me foi dada por Cristo. E não entendas isto como uma crítica dos modelos actuais. Fui criado nesse sistema. Estes apenas servem os propósitos para que foram estabelecidos. Não têm como alvo alcançar a sociedade, incarnar a fé. Antes, esperam que as pessoas entrem pela igreja a dentro no domingo, ouçam a pregação e se convertam.
No presente quero mais da minha espiritualidade do que apenas deleitar-me nas minhas exegeses teológicas (que também as faço). Quero ver pessoas chegarem ao conhecimento de Cristo e sei que isso não virá pelos modelos existentes, porque estes já tiveram tempo suficiente para dar provas e fracassaram. Isso virá pela criação de discípulos de Cristo que se envolvam no mundo e que nas suas rotinas produzam a redenção da sociedade.
De facto, eu também quero saltar fora se o movimento onde eu estiver envolvido não tiver esta paixão por povos e nações e de ver milhões de pessoas de todas as etnias a adorarem Cristo.
Suíça III

A Suíça é um país que nos encanta desde o primeiro momento: A espectacularidade dos cenários naturais, o progresso civilizacional, e também, para surpresa minha, a variada palete étnica que lá podemos encontrar. Apesar de estar fora da UE, a Suíça é, no meu entender, o verdadeiro centro sociológico da Europa. E, enquanto caminhava pelas ruas de Berna não pude escapar a uma breve análise religiosa.
Pioneira na Reforma do Século XVI, podemos ainda vislumbrar, nesta nação, alguns dos efeitos da aplicação de uma mundividência cristã na sociedade civil. Porém, o que se assiste hoje, é a uma crescente neo-paganização da sociedade, com todos os seus efeitos nefastos. Basta caminhar pelas artérias centrais das grandes cidades para se perceber isso.
Chego à conclusão de que, ao contrário do que muitos pensam, a Reforma Protestante foi apenas o início de um movimento que deveria ter sido muito mais profundo e abrangesse todos aspectos da sociedade. É pena que os reformadores não tenham investido mais no conceito do sacerdócio universal do crente, ou seja, em formar verdadeiros discípulos de Cristo que, por sua vez, formassem outros, numa cadeia inter-geracional interminável. Não seria essa a maneira de garantir que o movimento de regeneração espiritual não desvaneceria com o passar dos anos?

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Suíça II



Aldeia de montanha


Interlaken


Bern


Bern


Bern

terça-feira, 1 de maio de 2007

Suiça


Montanhas, neve e lagos por todo o lado.


Estação de Interlaken Ost


Comboios, sempre presentes. (Para o meu amigo Tiago)


Wilderswil. Vista do Hotel Credo. 7h00m.


Jungfraujoch. As montanhas mais altas da Europa.