sexta-feira, 28 de março de 2008
fica duas casas abaixo, na continuação da minha rua. As pessoas que lá vivam quando me mudei para cá partiram em busca de uma vida melhor - leia-se vivenda - e a paz na vizinhança foi com eles. Desde esse fatídico dia já passaram por lá brasileiros com os seus forrós até às quatro da manhã, um tipo que vivia ébrio e que certa noite incendiou a casa com a fórmula clássica vela + colchão, um outro, adepto do tunning, insistia em acelerar no beco sem saída (que é a nossa rua) com o rádio em altos berros acordando a minha filha à toa. Certo dia, os filhos dele (3) foram dramaticamente arrancados de casa pela segurança social por falta de condições. Falta ainda o tarado sexual que passava o dia sentado à porta a controlar as mulheres dos outros e, finalmente, os inquilinos actuais. Até ao dia de hoje, pareciam normais, tranquilos. Eis senão quando (adoro esta expressão) somos brindados com um arrufo de namorados envolvendo a filha da inquilina. Começou com gritos, passou por tareia à moda antiga e ia acabando em facada mortal não fosse um telefonema meu para a GNR.
E pensar que vivi 27 tranquilos anos no Vale da Amoreira.
sexta-feira, 21 de março de 2008

"Mas Deus prova o seu próprio amor para connosco pelo facto de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida."
in Epístola aos Romanos, Cap. 5, vs. 8,9.
quinta-feira, 20 de março de 2008
A Páscoa aproxima-se e a Cristandade corre para as praias do Brasil ou para neve dos Alpes. Os mesmos que devotam dias e subsídios de férias à esquizofrenia natalícia ausentam-se agora dos seus núcleos familiares em busca de uma escapadela da realidade. Não estranhemos tal facto. O Natal é, na sua génese, uma festa agregadora, universalista, prazerosa. Já a Páscoa obriga a definições. Ela força o homem a descer ao Vale da Decisão. O profundo significado da morte e ressurreição de Jesus Cristo, O Senhor, conduz aqueles que desejam participar da festa a optarem fatalmente por aceitar ou rejeitar a obra redentora do Messias. Não há espaço para ambiguidades sociais e a imagem de Jesus pregado a uma rude cruz é suficientemente esclarecedora mesmo para as mentes mais obscurecidas. A Páscoa significa morte, dor, sofrimento, sacrifício, a compromisso de fidelidade, ou seja, precisamente tudo aquilo de que as pessoas fogem nos dias de hoje. As agências de turismo agradecem.
sexta-feira, 14 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Tenho chegado à conclusão que na minha família o melhor da vida vem com o passar dos anos. Isto conforta-me porque aos 33 ainda não consegui nada de significativo de que me possa orgulhar. Digamos que esta espécie de "late achievements" me faz pensar que o melhor de mim ainda está por vir. Senão vejamos: A minha mãe, toda a vida funcionária pública, de repente, decide fazer o 10º ano à noite e acaba licenciada em Sociologia depois de alguns anos e já na casa dos 50. O meu pai, depois de uma vida inteira a ser escravo do trabalho, finalmente, está a descobrir tempo para ele mesmo e para trazer ao de cima talentos guardados no baú. Este domingo assisti, orgulhosamente, ao recital do Coral da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela onde o meu "cota" canta como baixo. As promessas de cantor de chuveiro foram cabalmente cumpridas. Fica aqui um pequeno aperitivo para se deliciarem. O meu pai é o moreno charmoso no meio.
terça-feira, 11 de março de 2008
Estamos em processo de venda e compra de casa. Ambos quase, quase, terminados. Estamos fortemente inclinados a optar por um T3+1 semi-novo, com óptimas áreas, excelente localização (parque infantil, infantário à porta de casa, vista desafogada, casa com luz o dia todo, zona tranquila, etc) e a um preço razoável, dentro do nosso orçamento. No entanto, é um 3º andar sem elevador. No processo, temos partilhado esta opção com as pessoas mais próximas de nós e raras são as que não acham um absurdo. Dizem-nos que "não vamos aguentar as compras", "não vamos aguentar com os filhos", etc. A mim, que vivi 27 anos num terceiro andar idêntico e carregava botijas de gás às costas, os tais 13 quilos de calor para casa (bendito gás natural canalizado), faz-me um pouco de confusão este discurso tipicamente burguês. A julgar pelos sábios conselhos, nós estaríamos melhor numa casa com quartos minúsculos onde os nossos filhos não têm espaço para brincar, com cozinhas degradadas, com casas-de-banho onde é preciso fazer contorcionismo para entrar, com salas sombrias, ou então endividados até ao pescoço por causa dum empréstimo para uma casa idêntica com elevador mas que excede em dobro as nossas posses. Isso sim, me parece um perfeito absurdo.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Acordei com este poema na mente
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I'll rise.
Why are you beset with gloom?
'Cause I walk like I've got oil wells
Pumping in my living room.
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I'll rise.
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops,
Weakened by my soulful cries.
Don't you take it awful hard
'Cause I laugh like I got gold mines
Diggin' in my own back yard.
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I'll rise.
Does it come as a surprise
That I dance like I've got diamonds
At the meeting of my thighs?
I rise
Up from a past that's rooted in pain
I rise
Welling and swelling I bear in the tide.
Leaving behind nights of terror and fear
I rise
I rise
Bringing the gifts my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise.
