terça-feira, 19 de julho de 2005

A Ditadura da Tolerância

Desde o início que concebo a Blogosfera como um espaço livre e aberto, onde o pensamento não é, de forma alguma, censurável. Aliás, o contrário seria impensável, até pela própria natureza que lhe é subjacente. Por essa razão estranho a forma, quase visceral , com que algumas pessoas se apressam a atacar, dentro deste espaço, todos aqueles que expressem uma opinião contrária à da maioria politicamente correcta em temas quentes como o aborto e a homossexualidade, entre outros. É, de facto, a ditadura dos tolerantes que pretendem asfixiar quem os contraria. Isto porque, no minímo, quem tem valores definidos e contra a corrente incomoda, como os mosquitos em noite de Verão.
Mas avancemos. A minha posição em relação ao aborto é clara e simples: A vida é o valor absoluto que se sobrepõe a todos os outros. Penso que todos temos esse direito independentemente de raça, religião, sexo, ou postura sobre a vida. Também acredito num princípio lógico muito simples. Ninguém chega a ter oitenta anos de idade, se não tiver sido antes um pequeno embrião ou, apenas, o somatório de um espermatozóide com um óvulo. Digo isto não de mim mesmo, mas fundamentado nos princípios que me regem. Alguém que me criticou dizendo que a religião cega as pessoas, que Cristo faria assim e assado mas erra ao não conhecer, por exemplo, o conteúdo do Salmo 139: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio da minha mãe...os teus olhos me viram substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda...".
Aliás, bem vistas as coisas, a verdadeira prisão e cegueira está em aceitar as ideias de um qualquer propagandista à caça de votos. Quando critico a Esquerda faço-o não necessariamente por ser de direita mas porque percebo o vazio e a incongruência da maioria das suas propostas. Também já percebi que, mais cedo ou mais tarde, as coisas irão por esse e por outros caminhos, mas cá estaremos para a prova dos nove.
Mais, o mundo não verá os seus males curados por evitarmos que as crianças mal amadas e abandonadas e indesejadas venham ao mundo. Essas, sempre as teremos e quantas não estarão em famílias que temos por felizes? E o que fazer aos adultos mal amados, abandonados e indesejados? É a Esquerda que distribui sopa aos pobres às tantas de madrugada?
Não posso deixar de notar que os defensores destas teorias acham sempre que os pensam de forma diversa são uns teóricos e demagogos e que nunca nos vamos poder colocar no lugar dos desgraçados. Mas que sabem do nosso passado? Das lutas dos nossos pais? Dos bairros em que vivemos e das coisas que vimos? Se calhar é precisamente o contrário. Sei o que é pobreza, sei o que é a dureza da vida e nem por isso vi mães matarem filhos por causa disso, pelo contrário.
O aborto é um problema das Sociedades Ocidentais, não dos países pobres. Olhem para Portugal há cinquenta anos atrás e contem os irmãos dos vossos avós!
Muito mais há para dizer e escrever, mas sublinho o facto de que ter convicções contra a corrente não implica ser obtuso. Esse juízo é débil demais para vingar! Ah! Escrevo como escrevo, porque um dia alguém sugeriu há minha mãe que ela abortasse de mim... terei suficiente propriedade?

3 comentários:

cat disse...

Quem ataca quem, afinal? Também você nada conhece do meu passado, nada conhece daquilo que me move e a outros, nem compreende - pois são apenas ideias «de um qualquer propangadista à caça de votos», é apenas o «politicamente correcto», pois imagina que pessoas como nós não pensam sózinhas, não é? Pobres de nós!

Filipe Spinner disse...

Nuno, este teu post é brilhante por duas razões: Pela defesa que fazes acerca da vida como valor absoluto e pela defesa da tua liberdade de expressão. Não é de agora que os que se dizem "mais tolerantes" são os que menos conseguem conviver com os que pensam de forma diferente e esta é, de facto, uma característica da "tão tolerante" esquerda como o BE. Vi isso, eu e todos os portugueses que assistiram àquele "desfile carnavalesco", quando o "barco do aborto" esteve para vir a àguas portuguesas e vi a agressividade quase violenta contra os que, com tantos e iguais direitos, defendiam a "não entrada" de tal embarcação em Portugal.
Agora, Nuno, este espaço é teu, e na tua casa, mandas tu, assim como eu no Ali Ao Lado.

Ana Rute Cavaco disse...

gostei do post, mas apenas uma nota:

antigamente também se abortava e muito. simplesmente acabavam por ser mais desculpáveis, não havia ecografias e informação. a minha avó paterna contou mais de 20 abortos e falava deles com a maior das naturalidades. não havia a noção do bebé formado com pouco tempo.

hoje sim, não há desculpa.