quinta-feira, 13 de outubro de 2005

A essência

Um dos comentários ao meu post "mete jindungo nisso" faz questão de mencionar que eu não vivi mais de um ano em Angola. O mais desprevenido dos leitores pode ser levado a crer que, realmente, faço a defesa de teses que me são estranhas, que falo artificialmente. Isso seria, no minímo, um grande equívoco. Digo isto porque é preciso distinguir a essência da forma. Trocando por míudos... de facto, eu não vivi mais de um ano em Angola, é verdade, mas passei 26 anos da minha vida num bairro cheio de gente vinda de Angola e numa família completamente enraízada na cultura angolana, resumindo: a respirar Angola. Ora, daqui se pode inferir que a questão física é apenas um pormenor na grande fotografia. A minha essência é angolana, a minha postura é angolana, o meu sotaque é angolano, a minha cor é mulata. Existe muita gente, por exemplo, que viveu alguns anos em Angola, mas que não tem a essência, nem sequer o sangue angolano, esses ficam-se apenas pela forma. A essência não se compra, não se inventa, não se empresta. Está lá e pronto!
Aliás, pensando bem, se não tivesse essência aquele post nunca tinha sido escrito. Poucos ou nenhuns escreveram algo semelhante na blogosfera.

4 comentários:

Huck disse...

Nuno, sabes qual é o teu problema? É que tu vibras tanto com teu povo, tu exaltas tanto a tua cor, tu proclamas tanto as tuas raizes que já te começas a parecer com aqueles blacks dos filmes do Spike Lee, a quem tudo o que leve a palavra 'preto' e seja nem que um pouquinho negativo, deixa logo 'on fire'. Nunca curti essas personagens que sempre via como uma caricatura forçada para mostrar que o 'pride' de que tanto falam tem tb lados negativos, hás de ver o 'Do The Right Thing' do Lee.
Neste teu post, apesar de eu perceber o que tu querias dizer e de concordar com td, fizeste-me lembrar o Buggin Out, um personagem do filme. Vê lá...ñ me leves a mal. ;)

Nuno disse...

Huck,

Não creio que seja o caso, apesar de respeitar a tua leitura. Faço apenas uma distinção entre essência e forma. O que tenho tanto do lado português como angolano flui naturalmente, não é forçado. E o lado angolano não é menos legítimo pelo facto de não ter, praticamente, vivido lá. Era essa a ideia. Não me vejo como um fundamentalista, apenas defendi o meu direito a exaltar determinado feito. Só!

Huck disse...

Ñ disse q eras. Só disse q pareceste. Paz.

E ainda acho q tens q ver o filme, nem q seja pra te rir um bocado. ^_^

Nuno disse...

Empresta-me!