segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Provavelmente o assalto mais estúpido de sempre

Duas e meia da manhã. Tocam à campainha cá de casa. Levanto-me com o natural sobressalto. Encosto-me à porta e demando identificação. É a minha vizinha que chega da discoteca e me diz que, ao fundo da rua, estão a assaltar o meu carro. Visto-me à pressa, pego no taco de basebol e corro para a esquina. A minha vizinha chama a GNR. Sinto-me tentado a correr para o carro e estrear o meu taco nas costas do ínfame assaltante, mas ela refreia-me o entusiasmo. Esperamos pouco tempo; o carro patrulha surge quase de imediato (small town). Acompanho os agentes na intercepção, parece que estou na série COPS. O assaltante havia removido por inteiro um dos vidros traseiros, cortando as borrachas isoladoras. Está sentado ao volante a brincar com os 4 piscas e a ouvir "Men Eater" da Nelly Furtado em altos berros. Está tão bêbado que nem consegue abrir o trinco da porta para sair do carro e responder à autoridade. Reconheço-lhe a «xipala». É o Paulinho, um pobre desgraçado do meu bairro que, desde que a mulher lhe colocou os patins, passa 95% do tempo ébrio. Fomos para a Esquadra. O «Mr. Teobar», não assume as culpas: diz que estava a guardar o carro, que é dele, que não tocou no vidro. Tem a ousadia me forçar a apresentar queixa, ignorando o facto de ter sido apanhado em flagrante delito. Diz que não tocou em nada, mas saca do bolso do casaco um chicken little do Kinder surpresa da minha filha e um caroço de maça que estava no cinzeiro do carro. E eu a pensar com os meus botões que posso mandar este urso para prisão por assaltar um carro que daqui a uma semana vai para o ferro velho. Não aguento tanto surrealismo. Esclarecido pelo guarda, de que isto pode levar uns 3 ou 4 anos a ser julgado, logo não vale a pena estar com grandes coisas, saio porta fora e vou tranquilizar a minha mulher.
Um assalto tão ou mais estúpido do que este, só mesmo aquele em que o meu amigo Hugo Sanchéz (alcunha de bairro), se deixou adormecer com um casaco nos braços enquanto assaltava um loja de roupa no Barreiro. Hoje é conhecido como Hugo Pui Peng em homenagem à cidadã macaense que foi agarrada num aeroporto na posse de estupfacientes, sensivelmente na mesma altura.

3 comentários:

Ego ipse disse...

Nada como encarar os problemas da vida com humor

NBossa disse...

Paulinho Rules!!!
A escolha da viatura, da banda sonora, e dos objectos furtados não podia ter sido melhor. Esse homem tem Hollywood a correr-lhe nas veias.

Nuno disse...

Absolutamente!