sábado, 12 de novembro de 2005

Isto é o Outono



Imagino-me no Terreiro do Paço às cinco da tarde para a apanhar o "Barco do Barreiro". Do meio da confusão dos transeuntes eleva-se o fumo que tem aquele aroma peculiar. Cheira a castanhas assadas e aquele carrinho ambulante tão característico está ali à minha espera. Nem de propósito: "É uma dúzia por favor". Entro no barco a correr, segurando as castanhas enroladas no cartucho feito de páginas amarelas numa mão e tentando guardar o passe com outra. A viagem ganha sabor, com o Sol a pôr-se por detrás da 25 de Abril. Está frio, o vento gela a cara, e as gaivotas perseguem-nos à espera de um pedaço de pão. Mas sabe mesmo bem...*

*Dedicado a todos aqueles que conhecem esta experiência. A todos os que passaram "horas" nas viagens entre margens, lutando pela vida. Têm o meu respeito.

5 comentários:

Flá Mendes disse...

até sou capaz se escutar o cheiro (sim esta expressão pertence ao sam... para mais detalhes, só mmo ele poderá esclarecer)

quem quer quentes e boas?

EU QUERO!!!

deixaste-me com água na boca...
mau mau mau...
agpra vou ter que sair amanha pra comer castanhas...
bom bom bom...
rsrsrs

Elsita disse...

Obrigada!
Também fiz muitas viagens de barco entre as duas margens do Tejo e só quando sentia o cheiro das castanhas assadas me recordava que o Inverno estava a chegar.
Agora tenho que apanhar o barco no Cais do Sodré, por isso passei a ir de autocarro, atravessando o Tejo pela Ponte e, quanto às castanhas, tenho que as comer em casa. Confesso que o sabor não é o mesmo...será a falta do papel de jornal? :)

Nuno disse...

Flávia, força nisso. elsa, de nada. Acho que o sabor se deve ao facto de serem feitas no carvão...as minhas também não têm o mesmo sabor.

Elsita disse...

Sem dúvida, o carvão, Nuno...
E ontem fiquei feliz, porque vi finalmente uma vendedora de castanhas assadas em Almada. Já as posso comer sem atravessar para a margem norte. :)

PS - tenho sido leitora assídua do teu blog. Parabéns!

Ana Rute Cavaco disse...

Eu tive essa experiência largos anos no Marquês de Pombal e em Algés. Castanhas assadas...