sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Truz, truz.



O grande resultado da supostamente elaborada teologia liberal do Séx XIX foi este: Na tentativa de retirar o incómodo elemento sobrenatural - para alguns mitológico - das Escrituras abriram o caminho para que alguns pensadores, como Nietzche, considerassem Deus morto por falta de provas irrefutáveis da sua existência. De facto, a necessidade de diminuir o poder de Deus ou até mesmo varrê-lo do mapa tem sido uma constante na história da humanidade. É muito mais confortável viver e agir como se Ele não estivesse presente com os seus olhos penetrantes, filtrando as acções e exercendo juízo. Um Deus que não age de forma sobrenatural é um Deus que não pode incomodar, logo, está morto. Os próprios israelitas a determinada altura, perdidos de amores pelos deuses pagãos e pela excessiva, diria mesmo total, licensiosidade que estes agradavelmente permitiam, entraram neste jogo e depressa colocaram YWHW (Jeová) a um canto. Para trás ficava o Êxodo, a entrada triunfal em Jericó, os dias gloriosos com David e Salomão, o cuidado permanente de Deus e a protecção dos inimigos. "Who cares?" pensaram. O mais importante era o prazer momentâneo. Mas Deus, que tem um forte sentido de oportunidade surge lá do canto e diz:«De um momento para o outro acabam-se os vossos devaneios» (Amós 6:7). A estultícia humana vai até onde Deus permite, ponto final. Nunca saberemos quando o seu saco já está cheio. Nos dias que correm, céleres e dados ao prazer imediato, é preciso ter em conta que, inesperadamente, podemos ouvir um truz, truz. Cuidado, não vá o visitante apanhar-nos com as calças na mão.

1 comentário:

Daniela Mann disse...

Essa é que é essa!