quinta-feira, 14 de junho de 2007

Um Quebra-Cabeças Ecuménico

Muitos evangélicos justificam a necessidade do «diálogo ecuménico» com os católicos baseados no facto de que estes partilham connosco a mesma herança «cristã».

Ora, um dos pontos essenciais do Cristianismo e, particularmente, dos Calvinistas, reside no acto da Conversão (Salvação) no qual uma pessoa confessa intencionalmente que Jesus é o Seu Senhor e Salvador. Esse reconhecimento tem como resultado a habitação do Espírito Santo na vida do cristão e esse é o selo que prova a sua nova identidade Nele.

Agora, se os católicos se baptizam em crianças e, como tal, nunca passam pelo processo consciente e intencional de Conversão, daqui concluímos, logicamente, que o Espírito Santo não habita neles.

E se o Espírito não habita nos seus corações que comunhão teremos?

12 comentários:

mulheres_estejam_caladas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mulheres_estejam_caladas disse...

Portanto Lutero, que foi baptizado em criança não se converteu. Todos os protestantes da reforma magisterial nunca aceitaram que Jesus é o seu Senhor e Salvador. Calvino baptizado em criança e que rejeitou o rebaptismo, teve o cuidado de dedicar um longo capítulo das suas Institutas a este assunto (Livro IV, cap. XVI), para mostrar o erro das conclusões anabaptistas, que, como outros radicalismos, ameaçavam a obra da Reforma, foi um hereje...

Posso aceitar a teologia do baptismo de adultos, já que é fruto de uma luta histórica contra o Catoliscismo e a Reforma magisterial, mas não tiremos conclusões anacrónicas.

Porque podemos ser encharcados ou salpicados, podemos ser baptizados em criança ou adultos. Se o Espírito não nos convencer do pecado e a graça de Deus não nos tocar, tudo o resto são adereços e símbolos.

Podes ter muitos argumentos anti- ecumenismo, mas este não serve.

E meu querido colega, vai haver muitos católicos no céu e muitos evangélicos bem mergulhadinhos na água serão hospedes de Dante.

Nuno disse...

Nini, aquilo a que tu chamas um radicalismo anabaptista parece-me um argumento bastante bíblico. E, se calhar, de tão simples e radical que é provoca tantos pruridos. Já reparaste na constante necessidade de "humanizar" os absolutos divinos?
Lutero chegou a uma conclusão pertinente: Salvação pela Graça, por meio da Fé e isto é Conversão, porque implica rejeitar outros meios da salvação como eram os sacramentos católicos, por exemplo. Quanto ao Calvino não sei, mas se não passou por isto, passou por onde? Eu creio que não existe Cristianismo sem essa afirmação tácita: "Jesus como Senhor e Salvador", em oposição a outras "divindades". E repara, não se trata de focar no baptismo Nini. O baptismo é apenas um acto exterior de uma transformação exterior. E concordo contigo,certamente haverá católicos no Céu, mas concordarás comigo que serão aqueles que passarem pelo crivo da Cruz. Aliás, assim como os evangélicos e todos os outros. E se o Espírito nos toca então há conversão e confissão.
Se, realmente o baptismo infantil é suficiente, porque é que 90% da população portuguesa não dá a mínima para Deus? Supostamente todos têm o Espírito não é?
Abraço
Nuno

Júnior disse...

Hehehehe sempre a picar o povo né sujeito.É bom levar a m alta a pensar pois alguns estão atrofiados de mente e comem tudo que oferecem.
Abraço.

Portucale disse...

Cada vez me convenço mais que há certas partes da Bíblia que estão particularmente "apagadas" nas mentes/vidas de alguns seres que se dizem cristãos...(já para não dizer Baptistas)... Como por exemplo Tiago cap. 3!!!

mulheres_estejam_caladas disse...

Senhor e Salvador, como tu disseste, são o âmago da questão.

É por isso sou ecuménica porque reconheço que muitos católicos reconhecem esta salvação e este senhorio. O baptismo é um símbolo, e tanto na igreja católica como nas igrejas protestantes tradicionais tem que haver uma confirmação.
E teremos comunhão com qualquer pessoa que por palavras e actos dê testemunho deste senhorio e graça da salvação.

Adilson Marques disse...

Caro Nuno,
Embora os evangélicos não baptizem os seus petizes, observo que exercem uma pressão sobre eles para se converterem. Das muitas crianças com quem tenho tido contacto no meio evangélico e que afirmam peremptoriamente que são convertidas, nenhuma me conseguiu explicar o que aconteceu. As mais velhas um pouco, limitam-se a repetir as palavras dos pais e professores da Escola Dominical sem entenderam minimamente o que dizem. São as crianças evangélicas mais convertidas que as católicas? Tenho sérias dúvidas.
Quando ao diálogo ecoménico, estou de acordo que não deve haver, mas o mesmo afirmo em relação à outros grupos evangélicos, pois na minha igreja não tenho visto coisas que outros afirmam ver e sentir, logo não será sábio ter um diálogo.
Um abraço.

Nuno disse...

Portucale, estás coberta de razão. eu próprio pensei nessa passagem quando vi o meu nome difamado por certos "irmãos" e "amigos" baptistas.
Nini, tb concordo contigo. Sabes, há dois conceitos mutuamente exclusivos: Católico e Cristão. O Católico admite vários senhorios. O Cristão apenas um.
Adilson, estás correctíssimo. Devíamos era ensinar as nossas crianças a serem adoradoras em vez de lhes contarmos histórinhas do caracaca.

CC disse...

Talvez faça falta ler um pouco sobre a história do cristianismo, para se ver como estas questões são debatidas e rebatidas e rebatidas desde o século II.
Sugestão aqui.

E, já agora, como aconselha o portucale, reler o livro de Tiago (o capítulo 2 também).

Abraço católico.

mulheres_estejam_caladas disse...

Nuno, eu gostei e concordo com a tua frase de um senhorio e de vários senhorios. E tens razão sobre toda pandilha de santos e o inflacionado culto a Maria. Só que é muito fácil a pontar o dedo aos católicos e dizer que são idólatras e blábláblá, mas e nós?

Até que ponto alguns dos nossos pastores não se comportam como se fossem santos com direito de veto sobre a vida dos "seus" crentes: orientam-lhes namoros, casamentos, vida social e laboral?
Quantas mulheres de pastores não esperam tanta veneração como Maria?

O meu problema é que nos sentimos tão satisfeitos com a nossa putativa fé iconoclasta, que não paramos para analizar as nossas fraquezas, e achamos que só porque as nossas paredes não têm imagens que o conteúdo pagão que a eleas está subjacente já não vive dentro do coração dos crentes.

O anti-catolicismo é o caminho mais fácil.
Esqueçamos os católicos. E paremos de nos congratularmos com os seus erros. Eles têm a fé deles, com pecados e virtudes como nós. Aprendamos deles o que ele têm para nos ensinar. Sejamos mansos e humildes e mostremos-lhes o nosso amor. Se o Espírito vive dentro de nós só os pode contagiar.

Eles são como nós: Pecadores buscando sinais do divino.

Nuno disse...

CC, deve partir do princípio que, possivelmente, eu já li "alguns" livros sobre a história do Cristianismo. Bem dito seria 300 anos de Cristianismo e 1700 de Cristandade, com a qual não me identifico.
Nini, concordo contigo em tudo, mesmo! (Se bem que a questão do discipulado e a extensão deste merecia um post) Tanto que o post é uma crítica a Evangélicos não a católicos. Respeito os Católicos como outra religião qq.

Cado disse...

A abordagem institucional da salvação levará, sempre, à guerra dos arremessos de pecado.
A abordagem a esta temática deve ser, sempre, individualizada.
Assim:
-Quem disse que o Espírito de Deus não está com aqueles que se batizaram em crianças? Sempre me disseram que o baptismo é simbólico.
Para os que chamam evangélicos:
Estará o Espírito Santo com aqueles que "tiveram uma experiência espectacular com Deus e confessaram que Jesus era o seu salvador" e nunca mais fizeram a Sua vontade?