sábado, 19 de janeiro de 2008

Dixit

Estes últimos dias têm-me feito pensar sobre a minha postura na blogosfera. Estou aqui desde praticamente o início. Devo-o à insistência do meu cunhado e ao aliciamento que a escrita criativa (com as devidas limitações) traz.
Não sou pessoa de discussões, mas já fui. Já tive o gosto de alimentar polémicas e trocas de argumentos com o intuito de provar algo, mas que no fundo mais não eram do que afirmações do meu ego. Por ter descoberto que isso me fazia mais mal que bem, optei por outra postura, que passa mais pela aprendizagem mútua, pelo diálogo franco e sincero, sem agendas paralelas. Isso tem trazido inúmeras vantagens para mim. Infelizmente, dei comigo a alimentar, novamente, um tipo de diálogo no qual já não me revejo. Não porque tenha medo de defender as minhas teses, mas pela natureza do mesmo e pela postura dos seus intervenientes. O meu blogue apresenta as minhas ideias mas é, sobretudo, uma partilha de bocados de mim, da minha vida. Logo, não tenho que justificar nem que provar nada. Sou o que sou, da forma que sou. Se alguém discorda das minhas ideias, da minha vida, é livre do o fazer, mas não me sinto na obrigação de as justificar. A discussão pela discussão faz-me sentir que devo satisfações, que existem regras retóricas a seguir e tal não é verídico. As verdades, nos dias que correm, provam-se pela sua vivência.
Há um princípio cristão que diz que seremos conhecidos e provados pelos frutos das nossas acções. Aí encontro descanso, até porque tenho aprendido a não perseguir os outros naquilo que fazem. Tenho-me disciplinado no exercício de não impor sobre os outros a minha visão das coisas. Se alguém pensa e age de forma A ou B então que pense e aja. A seu tempo se verá a validade das suas premissas.
Senti-me tentado, por várias vezes, a retirar os comentários para evitar a necessidade de resposta, mas não o fiz, nem o farei, porque não pode pagar o justo pelo injusto e o que lá fica escrito acaba por revelar o coração de cada um e as suas intenções. Também não farei deste blogue algo anónimo (se bem que as pessoas que o lêem podiam ser facilmente compactadas numa pequena lista de emails de convite). Nunca se sabe quando algum distraído cairá por aqui, e, por acaso, chegue a encontrar Cristo, ou, pelo menos, reflexos da Sua pessoa. É por essa razão que escrevo este post, para me preservar a mim e aos que me lêem da acidez das discussões vãs que não levam a lado nenhum e que pouco ou nada trazem de positivo ao Reino de Deus. A competição não é um fruto de Espírito.
Ainda assim, são todos bem-vindos a este espaço se, como dizia Zeca Afonso, vierem por bem. Aos outros, os que se incomodam com as minhas ideias, pergunto: Quem é o Mukankala? O que ele representa neste universo? Eu responderia: Pouco, muito pouco, não vale a pena o esforço.

8 comentários:

Vilma disse...

Concordo contigo Nuno.
O tempo perdido com discussões vãs, não servem o Reino e não geram vida.
Por vezes, ainda trazem mais confusão, em especial a quem está de fora.. e que acaba por se afastar.
E Deus não é Deus de confusão!
Polémicas sempre exixtiram e hão-de existir até ao dia que Jesus voltar.
Cabe-nos ter a sabedoria de lidar com isso. E sempre com a mente de Jesus!
Afinal, o Evangelho é algo tão simples ... porque se complica tanto?
DTA e dirija.

Alecrim disse...

Um belo post!

Scott disse...

Nuno, amigo,
Há discussões e há DISCUSSÕES. Numa podemos manter uma atitude e postura correcta e digna. Noutra perdem-se as estribeiras. Para mim é uma questão de saber lidar com o conflito, que em si, pode ser neutro. Faltando isso, a coisa fica feia e é melhor deixar. Mas oque faz ainda mais falta é discernimento para separar as duas.

Nuno disse...

Tens toda a razão Scott. Pessoalmente, ando farto de DISCUSSÕES. Por outro lado aprecio muito discussões, por exemplo, contigo.
Abraço

Gualter disse...

Caro Nuno,

Depois de te teres perdido em meia dúzia de improdutivas fintas no meio campo, brindaste-nos com um post-trivela fenomenal que resultou num golo do outro mundo.

Espero que não reajas à Quaresma a meia-dúzia de assobios que possam soar das bancadas.

Eu que sou leitor atento e admirador das tuas prosas agradeço-te tanto as fintas como os golos memoráveis. E elogio-te este, o primeiro post do resto do teu blogue.

Abraço

Gualter Pereira

Santo & Pecador disse...

O "Mundo" diz que as discussões e trocas de argumentos trás luz a mente dos homens, o grande problema é que juntamente com a luz da mente vem na maioria das vezes trevas ao coração... e esse é o maior dos problemas.

Quanto a quem é Makankala, digo e porque te conheço minimamente de outras "lides" e tempos "Teológicos" alguém especial por uma simples razão... a de que somente Mukankala pode fazer o que Deus lhe chamou a fazer, outros poderiam fazer parecido mas nenhum poderia fazer o que Mukankala faz... Seguramente que a tua vida já tocou outras vidas e dessa maneira nenhuma outra pessoa poderia fazer o que já fizes-te, dizer o que já disses-te, pensar o que já pensas-te... o mesmo se aplica em relação ao futuro.
Um Abraço e que sigas assim de genuíno...perdoa o comentário tão XXL

Penedo disse...

Caro Mukankala,
Apesar de não te conhecer, gostei das tuas palavras. Parecem de um homem sábio.
Um abraço.

Hadassah disse...

~Mukankala, eu pessoalmente aprecio a espontaneidade e a sinceridade com que escreves... e concordo contigo...o politicamente correcto por um lado soa a falso, já a frontalidade leva quase sempre a acesas discussões... mas entre uma coisa e outra temos que ser acima de tudo Nós Próprios, defensores das nossas convicções. E é esse esforço que encontro na tua escrita. DTA.