terça-feira, 31 de maio de 2005

A geração do imaginário

Até há alguns anos atrás era uma realidade que me passava um bocado ao lado, mas quando conheci outras pessoas que partilhavam o mesmo que eu, rapidamente cheguei a uma conclusão: Existe, em Portugal, um grupo restricto de pessoas que tem saudades dum lugar que nunca conheceu. Essas pessoas são os filhos dos refugiados do ultramar. Tendo nascido em África, não tiveram tempo, devido ao êxodo, para conhecer a sua terra natal, mas fizeram uma construção mental e afectiva da mesma, com base nos relatos, fotos e histórias dos seus familiares mais próximos.
É certo que isto interessa a muito pouca gente, a não ser aos que, estando na mesma condição que eu, lêem este post.
É certo que também poucos terão um imaginário tão significativo, no que diz respeito às suas origens.

3 comentários:

ana disse...

tens toda a razão. Numa formação estive com uma rapariga que durante o almoço me falou de Africa com uma saudade e um envolvimento contagiante. Perguntei-lhe onde tinha nascido. Em Viseu, os meus pais vieram para Portugal 1 mês antes de eu nascer... Nunca tinha voltado a Moçambique mas dizia que sentia o cheiro de lá.

Nuno disse...

Bingo! Não podia ter descrito melhor a ideia. :-)

Karla disse...

É estranho, é. Os meus avós foram para África nos anos 40/50, e os meus pais nasceram ambos lá. Ainda hoje o meu pai diz que África é a terra dele. Eu nunca lá fui, mas também tenho essa construção mental de que falas :)